Alfredo Gaspar de Mendonça Neto (PL-AL) foi anunciado nesta quarta-feira (5) como candidato a vice-presidente na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) menos de 24 horas depois de ter sido oficializado pelo próprio partido como candidato ao Senado por Alagoas. A mudança de uma noite para outra expõe o caráter improvisado da escolha: até a véspera, Gaspar não aparecia entre os nomes ventilados publicamente para a vaga.
A definição saiu no último dia do prazo para as convenções partidárias, encerrado em 5 de agosto, conforme o calendário oficial do Tribunal Superior Eleitoral. Sem conseguir atrair PP, União Brasil, Republicanos ou Podemos para uma coligação nacional, Flávio recorreu a um integrante do próprio PL e fechou uma chapa pura.
O desfecho confirma o isolamento que marcou a formação da candidatura da extrema direita. Como a Fórum mostrou, Flávio Bolsonaro empurrou o anúncio do vice até o limite legal enquanto acumulava recusas e tentava convencer partidos do Centrão a embarcar em sua campanha.
Alfredo Gaspar foi do Senado à vice em menos de um dia
Na noite de terça-feira (4), Alfredo Gaspar subiu ao palco da convenção estadual do Partido Liberal em Alagoas, realizada em Maceió, para confirmar sua candidatura ao Senado. Presidente estadual da legenda, ele apresentou a disputa como uma nova etapa de sua trajetória política e falou aos apoiadores como postulante a uma das duas cadeiras do estado.
Toda a programação pública de Gaspar estava voltada para a eleição ao Senado. O deputado vinha articulando alianças estaduais, aparecia nas pesquisas para o cargo e havia trocado o União Brasil pelo PL, em março, justamente para comandar a legenda em Alagoas e disputar a eleição majoritária.
Na manhã seguinte, porém, Gaspar apareceu como candidato a vice-presidente. Seu nome sequer havia integrado a sucessão pública de cotados para acompanhar Flávio Bolsonaro. Nas semanas anteriores, a campanha concentrou as negociações em mulheres ligadas a outros partidos e chegou a avaliar alternativas internas somente diante do fracasso das alianças.
A guinada também desmonta o projeto eleitoral formalizado em Alagoas poucas horas antes. Ao integrar a chapa presidencial, Alfredo Gaspar terá de deixar a corrida pelo Senado, obrigando o PL alagoano a reorganizar uma composição que acabara de apresentar aos eleitores.
Flávio Bolsonaro queria uma mulher como vice-presidente
A estratégia original de Flávio Bolsonaro era escolher uma mulher para a vice-presidência. A campanha buscava ampliar a presença entre o eleitorado feminino, reduzir a rejeição ao sobrenome Bolsonaro e construir uma ponte com o agronegócio, o mercado financeiro ou o eleitorado evangélico.
As duas principais opções na reta final foram a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e a economista Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e filiada ao Republicanos.
Tereza Cristina chegou a aceitar o convite, mas foi impedida de entrar na chapa depois que o PP decidiu manter neutralidade na eleição presidencial. A negociação com Tereza Cristina terminou sem o apoio formal necessário da legenda.
Daniella Marques, que trabalhava na coordenação econômica da campanha e era a preferência pessoal de Flávio, enfrentou o mesmo obstáculo. O Republicanos decidiu não integrar coligações presidenciais, apesar do apoio individual de dirigentes e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ao candidato do PL. A neutralidade do Republicanos inviabilizou a indicação.
Tereza Cristina e Daniella Marques estavam presentes no evento em que Alfredo Gaspar foi anunciado. A cena condensou o constrangimento político da campanha: as duas mulheres procuradas para a vaga permaneceram ao lado de Flávio, mas seus partidos haviam recusado o embarque. Sem poder escolher nenhuma delas, o senador apresentou um homem do próprio PL que, até a noite anterior, concorria ao Senado.
Chapa de Flávio Bolsonaro expõe isolamento do PL
A escolha de Alfredo Gaspar não resultou de uma aliança capaz de ampliar a candidatura presidencial. Foi uma solução interna para cumprir o prazo eleitoral depois que as negociações com partidos de centro e direita fracassaram.
PP, União Brasil, Republicanos e Podemos rejeitaram uma coligação formal com o PL. Mesmo dirigentes que prometem apoiar Flávio Bolsonaro nos palanques estaduais evitaram vincular nacionalmente suas legendas à candidatura.
Alfredo Gaspar, ex-promotor de Justiça, ex-secretário de Segurança Pública de Alagoas e deputado federal desde 2023, tornou-se uma alternativa disponível por reunir três condições: estava filiado ao PL, mantinha fidelidade pública a Flávio Bolsonaro e poderia ser escolhido sem nova negociação partidária.
A vice acabou funcionando como retrato da campanha. Flávio Bolsonaro passou meses buscando uma mulher de outro partido, chegou ao último dia permitido sem uma aliança nacional e improvisou como companheiro de chapa um deputado que havia sido lançado ao Senado na noite anterior.
Alfredo Gaspar é vice improvisado de Flávio Bolsonaro; entenda o motivo
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