A escolha de Alfredo Gaspar (PL-AL) como vice na chapa de Flávio Bolsonaro à Presidência da República foi definida e divulgada nesta quarta-feira (5).
Ex-procurador-geral de Justiça, ex-secretário de Segurança Pública de Alagoas, deputado federal e relator da CPMI do INSS, Gaspar carrega consigo uma trajetória de 24 anos no Ministério Público, um histórico de combate declarado ao crime organizado e uma grave acusação de estupro de vulnerável que ainda aguarda desdobramentos.
Quem é Alfredo Gaspar
Natural de Maceió, Alfredo Gaspar de Mendonça Neto construiu sua reputação pública muito antes de ingressar na política partidária. Graduado em Direito pelo Centro Universitário Cesmac e especialista em Direito Público, ingressou no Ministério Público de Alagoas em 1996, onde atuou por mais de duas décadas. Foi no MP que Gaspar ganhou projeção, especialmente como membro e posterior coordenador do Grupo Estadual de Combate às Organizações Criminosas (GECOC), área em que se especializou no enfrentamento ao crime organizado.
Entre 2017 e 2020, ocupou o cargo de procurador-geral de Justiça de Alagoas, o posto mais alto do Ministério Público estadual, e também comandou a Secretaria de Estado da Segurança Pública no governo Renan Filho.
Foi somente em 2020 que Gaspar deu o salto para a política eleitoral. Pelo MDB, disputou a Prefeitura de Maceió e chegou ao segundo turno, sendo derrotado por JHC.
Em 2022, já filiado ao União Brasil, elegeu-se deputado federal, concentrando sua atuação na Câmara em temas ligados à segurança pública, ao combate à corrupção e ao endurecimento das leis penais.
Na Câmara, protagonizou a fracassada CPMI do INSS no posto de relator. Foi ali que sua atuação ganhou notoriedade nacional, e também onde sua trajetória começou a ser manchada por denúncias.
Ele foi cotado como senador por Alagoas em 2026, mas seu desempenho nas pesquisas decepcionou aliados. A solução de colocá-lo na vice de Flávio Bolsonaro resolveu um problema da chapa de extrema direita no estado.
O relator da CPMI do INSS e a “cortina de fumaça”
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS foi o palco principal de Alfredo Gaspar no cenário político nacional.
Como relator, ele produziu um relatório de mais de 4 mil páginas que pedia o indiciamento de 216 pessoas.
O relatório, que foi colocado como “peça frágil” pelo deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), acabou sendo rejeitado pela Comissão.
O documento do relator pedia o indiciamento de Fábio Luís da Silva, o Lulinha, e deixava de fora figuras como Fabiano Zettel (empresário ligado ao caso Master e à fraude do INSS) e o ex-senador Onyx Lorenzoni (ex-ministro da Previdência do governo Bolsonaro), além da polêmica pela proteção à Igreja da Lagoinha, acusada de ter recebido emendas do presidente da comissão, o senador Carlos Viana (Republicanos).
A grave denúncia de estupro
Durante a apresentação do relatório da CPMI, o deputado Lindbergh Farias (PT) e a senadora Soraya Thronicke (Podemos) apresentaram à Polícia Federal uma acusação de estupro de vulnerável contra o deputado.
Segundo a denúncia, Gaspar teria mantido um relacionamento com uma menor de idade, que teria resultado em uma gravidez.
À época, ele divulgou nas redes sociais um teste de paternidade e um vídeo com o relato da mulher apontada como suposta filha do crime.
Na gravação, ela nega ser filha de Alfredo Gaspar e afirma que seu pai seria, na verdade, primo do parlamentar. Segundo seu relato, ela teria nascido de uma relação consensual entre os dois, que posteriormente não teria prosperado.
O parlamentar nega todas as acusações.
A acusação contra Alfredo Gaspar foi encaminhada à Corregedoria da Polícia Federal, setor responsável por avaliar a competência da corporação para investigar o caso e verificar se há elementos suficientes para a abertura de um inquérito.
Até o momento, nenhuma investigação formal foi instaurada, o que significa que a denúncia ainda está em análise preliminar.
Também há um processo de calúnia e difamação movido por Gaspar contra Soraya Thronicke e Lindbergh Farias, atualmente sobre relatoria do ministro Gilmar Mendes no Supremo Tribunal Federal.
Um vice menor
A decisão de Flávio Bolsonaro de ter Alfredo Gaspar como vice não foi a primeira opção do senador. Flávio buscava uma vice mulher, numa tentativa de reduzir sua alta rejeição entre o eleitorado feminino.
Chegaram a ser cotados nomes como a senadora Tereza Cristina (PP) e a ex-presidente da Caixa Daniella Marques (Republicanos), mas ambas as legendas recusaram a coligação com o PL.
Sem coligações, a chapa “puro-sangue” do PL terá 20% menos tempo de TV do que a do petista Lula, que conta com outras seis legendas.
O anúncio, feito às pressas na véspera do fim do prazo das convenções, escancara o isolamento político do candidato do PL, que viu sucessivos partidos do centrão recusarem uma aliança.
Camaleão político
A trajetória de Alfredo Gaspar na política alagoana também é marcada por mudanças de rumo. Ele foi aliado da família Calheiros durante anos, mas mudou de barco no ano de 2022, quando se filiou ao União Brasil.
Na Câmara, como deputado federal, passou a ocupar uma posição de oposição cada vez mais explícita ao governo Lula.
Em 2026, deixou o União Brasil e foi para o PL, partido de Jair Bolsonaro, aproximando-se definitivamente do campo bolsonarista.
Seu nome, inclusive, não é consensual dentro do partido. Durante a convenção do PL em Alagoas, ele afirmou ter enfrentado articulações para que seu nome não fosse escolhido pelo PL.
“Uma parte da classe política fez de tudo para que o partido não me desse oportunidade. Saíram comitivas daqui para tomar o partido, com a certeza de que iam me derrubar”, declarou.
Quem é Alfredo Gaspar, vice de Flávio Bolsonaro?
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