Minas Gerais costuma entrar em uma eleição presidencial antes mesmo do início oficial da campanha. Não por acaso. O estado reúne o segundo maior eleitorado do país, espalhado por 853 municípios, e concentra diferenças econômicas, sociais e regionais que ajudam a explicar por que seu resultado tantas vezes antecipa o do Brasil.
Desde 1945, o candidato mais votado pelos mineiros também venceu a eleição nacional em 12 das 13 disputas diretas realizadas até 2022. A única exceção foi Getúlio Vargas.
Em 1950, Eduardo Gomes venceu em Minas, com 34,8% dos votos válidos. Vargas ficou em segundo lugar no estado, mas conquistou a Presidência ao alcançar 48,7% no país. Foi a última vez que o vencedor nacional perdeu entre os eleitores mineiros.
Depois disso, a coincidência virou tradição. Juscelino Kubitschek venceu em Minas e no Brasil em 1955. Jânio Quadros repetiu o desempenho em 1960. Com a volta das eleições diretas, o estado acompanhou as vitórias de Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso, Lula, Dilma Rousseff e Jair Bolsonaro.
Em 2022, Minas voltou a funcionar como uma fotografia quase exata da disputa nacional. Lula recebeu 50,20% dos votos válidos no estado e 50,90% no país, derrotando Bolsonaro por uma margem estreita nos dois casos.
Um estado com muitos Brasis
O peso mineiro não está apenas nos mais de 16 milhões de eleitores. Minas faz divisa com seis estados e reúne regiões que mantêm relações econômicas e culturais muito diferentes entre si.
O Vale do Jequitinhonha e o Norte mineiro têm características próximas às de áreas do Nordeste. O Sul do estado é fortemente influenciado por São Paulo. A Zona da Mata se conecta ao Rio de Janeiro, enquanto o Triângulo Mineiro se aproxima de Goiás e de Brasília.
Há cidades industriais, áreas agrícolas, grandes centros urbanos e municípios pequenos. Belo Horizonte é importante, mas não concentra sozinha o jogo eleitoral. O voto mineiro é pulverizado e exige que os candidatos conversem com públicos muito distintos.
É por isso que presidenciáveis buscam palanques fortes no estado, alianças regionais e presença constante em Minas. Quem consegue se comunicar com o eleitor mineiro costuma demonstrar capacidade de dialogar com diferentes parcelas do país.
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