Jair Renan Valle Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, registrou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sua candidatura a deputado federal pelo PL em Santa Catarina com o nome de urna “Jair Bolsonaro”, o mesmo usado quando se elegeu vereador de Balneário Camboriú em 2024. O registro, atualizado em 6 de agosto, revela um patrimônio declarado de R$ 187.366,28, salto de mais de 345% em relação aos R$ 42.069,79 informados dois anos antes, e a ausência de qualquer informação no campo de orientação sexual, que na candidatura anterior havia sido preenchido como heterossexual. A candidatura é descrita pelo próprio Jair Renan como uma “missão” dada pelo pai, atualmente em prisão domiciliar pela participação em uma trama golpista.
A estratégia do sobrenome
Jair Renan registrou sua candidatura pelo PL usando “Jair Bolsonaro” como nome de urna, repetindo a fórmula que o levou à Câmara Municipal de Balneário Camboriú em 2024. A escolha não é acidental: em um estado onde o bolsonarismo construiu uma das bases eleitorais mais sólidas do país, associar o nome diretamente ao do ex-presidente é uma declaração de estratégia antes de qualquer slogan.
Em julho, ao anunciar a pré-candidatura, Jair Renan descreveu o movimento como uma “missão” dada pelo pai e afirmou que o objetivo é “continuar lutando pelos brasileiros”. A campanha, segundo ele, será conduzida ao lado do irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à presidência da República, sob o lema “Deus, Pátria, Família e Liberdade”. O movimento segue o mesmo roteiro do irmão Carlos Bolsonaro, que deixou o mandato na Câmara do Rio de Janeiro para concorrer ao Senado por Santa Catarina, articulação que reorganizou alianças locais e gerou críticas de prefeitos do PL e de siglas aliadas no estado.
Salto patrimonial
O registro no TSE aponta um patrimônio de R$ 187.366,28, composto por um Volkswagen Jetta 2015 avaliado em R$ 65 mil e R$ 122 mil distribuídos em duas contas bancárias. Em 2024, quando disputou a vereança pela primeira vez, Jair Renan declarava R$ 42.069,79, também em contas bancárias. A diferença representa aumento superior a 345% em dois anos, período em que ele exerceu o mandato de vereador com salário público.
A ausência de explicação pública sobre como o patrimônio mais que quadruplicou enquanto Jair Renan ocupava um cargo de vereador é o ponto que tende a concentrar o escrutínio ao longo da campanha.
Omissão da orientação sexual
Na ficha de candidatura atualizada em 6 de agosto, Jair Renan se declara homem cisgênero e solteiro, mas deixou em branco o campo referente à orientação sexual. Em 2024, o mesmo campo havia sido preenchido com a declaração de heterossexualidade. O preenchimento é opcional, conforme o TSE, e a omissão deliberada se distingue tecnicamente do não preenchimento por esquecimento.
Os números do TSE mostram que, das 8.229 candidaturas registradas até o momento, 3.640 (44,23%) optaram por não divulgar a orientação sexual; 4.398 se declararam heterossexuais; e outros 191 se identificaram como bissexuais, gays, lésbicas, pansexuais ou assexuais. Jair Renan está, portanto, na maioria que silencia, mas sua escolha carrega peso diferente dado o contraste com 2024.
Jair Renan foi o vereador mais votado de Balneário Camboriú em 2024, com pouco mais de 3 mil votos. No plenário, porém, acumula críticas de adversários pela baixa produtividade parlamentar e por discursos voltados a temas alheios ao cotidiano do município. Dois episódios concentram as controvérsias de seu mandato: logo no dia 1º de janeiro, ele usou o microfone para acusar o correligionário Kaká Fernandes de “traição”, em razão de uma discordância na articulação do partido durante a eleição da Mesa Diretora da Câmara, que terminou com a vitória de Marcos Kurtz (Podemos), ligado a outro grupo político.
O segundo episódio de maior repercussão foi seu voto contrário ao projeto que instituiria o Dia da Democracia em homenagem a Higino Pio, ex-prefeito de Balneário Camboriú morto pela ditadura militar. O voto isolou Jair Renan na câmara municipal e expôs a orientação política do mandato de forma inequívoca.
Jair Renan usa “Jair Bolsonaro” na urna, quadruplica patrimônio e omite orientação sexual ao TSE
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