Lula registra candidatura à presidência e coloca soberania no centro do plano de governo

Lula registra candidatura à presidência e coloca soberania no centro do plano de governo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Foto: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente Geraldo Alckmin formalizaram, na noite desta sexta-feira (7), a candidatura à reeleição na Justiça Eleitoral.
O registro da coligação Brasil Pronto Pra Mais foi protocolado às 23h20min52s e confirmado oficialmente às 23h21min06s, segundo o recibo emitido pelo Sistema de Candidaturas da Justiça Eleitoral.
“É OFICIAL! PT registra candidatura de Lula à reeleição. Às 23 horas, 21 minutos e 6 segundos desta sexta-feira, 7 de agosto de 2026, o partido oficializou perante à justiça eleitoral o nome de Luiz Inácio Lula da Silva na busca pelo tetra!”, anunciou o Partido dos Trabalhadores nas redes sociais.
https://x.com/ptbrasil/status/2085927535963934776?s=48
Com o registro, Lula entra oficialmente em sua oitava disputa pela presidência da República. Se vencer, conquistará o quarto mandato à frente do país.
A documentação entregue à Justiça Eleitoral inclui um programa de governo de 84 páginas que coloca a defesa da soberania nacional como um de seus principais eixos, além de prever a ampliação de políticas sociais, medidas voltadas às mulheres, iniciativas nas áreas de segurança pública, inovação e inteligência artificial e o aprofundamento das relações do Brasil com o Sul Global.
O próximo grande ato político será o lançamento oficial da campanha, marcado para 16 de agosto, no estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, um dos locais mais simbólicos da trajetória política de Lula.
Frente reúne sete partidos
Além dos Requerimentos de Registro de Candidatura (RRC) de Lula e Alckmin, a documentação apresentada inclui o Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários (DRAP).
A coligação Brasil Pronto Pra Mais reúne PDT, PSB, a Federação PT-PCdoB-PV e a Federação PSOL-Rede, somando sete partidos.
É a única candidatura que apresentou uma coligação para a eleição nacional deste ano. A composição consolida uma frente que vai do centro à esquerda e reúne tanto legendas historicamente ligadas ao campo progressista quanto partidos que, em outros ciclos eleitorais, estiveram em campos políticos diferentes.
A chapa também repete a composição vencedora de 2022, com Alckmin novamente como candidato a vice-presidente após uma aliança que atravessou o mandato sem rupturas públicas relevantes.
Soberania nacional vira eixo central
Um dos pontos de maior destaque do programa apresentado pela candidatura é a defesa da soberania nacional.
A palavra “soberania” aparece em 21 das 84 páginas do documento, que rejeita expressamente qualquer tentativa de subordinação do Brasil a interesses estrangeiros.

“Faremos firme oposição a qualquer tentativa de subordinar o Brasil a interesses estrangeiros ou de reduzir nosso país a uma posição de dependência geopolítica”, afirma o programa.

Em outro trecho, o documento critica aqueles que defendem alinhamentos automáticos do Brasil no cenário internacional:

“Rejeitamos a visão daqueles que aceitam, com servilismo, a renúncia à soberania nacional em nome de alinhamentos automáticos e ideologias fracassadas.”

O trecho funciona também como crítica ao bolsonarismo, que durante o governo de Jair Bolsonaro promoveu forte alinhamento político com os Estados Unidos.
Na política externa, o programa prevê o aprofundamento das relações com o Sul Global e reafirma a defesa do multilateralismo.
Mulheres, inteligência artificial e segurança pública
O programa também prevê a continuidade do Pacto de Enfrentamento ao Feminicídio e a expansão da rede de atendimento às vítimas de violência.
Entre as propostas estão ainda medidas de incentivo ao empreendedorismo feminino e políticas destinadas à promoção da igualdade salarial.
Nas áreas de desenvolvimento e tecnologia, o documento cita iniciativas relacionadas à inovação, inteligência artificial e minerais críticos, além da criação de uma Política Nacional de Letramento Digital.
Na segurança pública, o programa formaliza a proposta de criação de um Ministério da Segurança Pública.
Outra medida prevista é a elaboração de um protocolo nacional para classificação e transferência de presos considerados de alta periculosidade.
Lula volta à Vila Euclides para abrir campanha
O lançamento oficial da candidatura está marcado para 16 de agosto, um domingo, no estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo.
A escolha carrega forte simbolismo para Lula.
Foi na Vila Euclides que ocorreram as maiores e históricas assembleias dos trabalhadores metalúrgicos durante o ciclo de greves do final da década de 1970 e início dos anos 1980, movimento que projetou nacionalmente a liderança sindical de Lula e esteve na origem da construção do PT.
Décadas depois, Lula volta ao mesmo local para iniciar oficialmente mais uma campanha presidencial, conectando o início de sua trajetória política à disputa por um novo mandato no Palácio do Planalto.
Esta será a oitava vez que Lula terá sua candidatura à presidência lançada pelo PT. Se for reeleito, chegará ao quarto mandato e acumulará 16 anos à frente do Executivo federal, período inferior apenas ao tempo em que Getúlio Vargas esteve no poder.
Campanha começa em 16 de agosto
Com o registro protocolado, a disputa entra agora em sua etapa formal.
O calendário eleitoral previa até 5 de agosto para a realização das convenções partidárias e estabelece 15 de agosto como prazo final para o registro das candidaturas na Justiça Eleitoral.
A campanha eleitoral começa oficialmente em 16 de agosto, justamente a data escolhida pela coligação para o ato na Vila Euclides.

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