Seguindo os passos do pai, que acusava a cúpula do Judiciário de persegui-lo, o candidato da extrema direita Flávio Bolsonaro, em discurso num almoço com líderes empresariais amigos foi além e disse textualmente que é perseguido, embora na verdade venha sendo protegido por André Mendonça desde 2020, “porque está divulgando a roubalheira que acontece na mais alta cúpula do Judiciário brasileiro“.
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Provavelmente, mais adiante, quando vier a julgamento pelos incontáveis crimes de que já é acusado, dirá como o pai que não tinha como provar a tal “roubalheira”, que era figura de linguagem ou ainda “você sabe como eu sou”… Está arriscado a ainda chamar o ministro relator de seu caso para vice, já que teve tanta dificuldade para encontrar um, a ponto de ter de aceitar um deputado acusado de corrupção e estupro de vulnerável…
O homem que acusa o Judiciário de roubalheira ainda não conseguiu explicar por que funcionários de seu gabinete tinham que entregar 90% dos salários que recebiam.
Não conseguiu explicar como sua loja de chocolates chegava a faturar mais em meses comuns do que na Páscoa, como é usual em todas as lojas de chocolates.
Não conseguiu explicar como conseguiu comprar uma mansão declaradamente por R$6 milhões, mas que vale o dobro pelo menos em avaliação do mercado, com o salário de deputado e senador.
Não conseguiu explicar por que mantinha em seu gabinete a mãe e a mulher do maior matador do Escritório do Crime, gangue miliciana de matadores no Rio de Janeiro.
Não conseguiu explicar o destino dos R$61 milhões de Vorcaro, pretensamente para um filme sobre a vida de seu criminoso pai, condenado a 27 anos e três meses de prisão.
Não conseguiu explicar o que foi fazer na casa de Vorcaro um dia após ele ser liberto provisoriamente da cadeia, com tornozeleira eletrônica. Por que um senador se arriscaria tanto numa visita comprometedora dessas se não fosse por dinheiro — como afirmou o presidente de seu partido, Valdemar Costa Neto — ou por, talvez, ameaçar Vorcaro para que não abrisse o bico sobre o dinheiro que acabou vindo à tona pela apreensão dos celulares do dono do banco Master?
Não conseguiu explicar a nota emitida e depois cancelada de R$500 mil para uma empresa chamada Copenhage. A alegação de que não aceitara a proposta de trabalho não se sustenta. Ninguém emite nota por um trabalho que não vai realizar.
Não explicou ainda qual tipo de trabalho exerceu como advogado para receber os R$500 mil da outra nota. Nem para quem foram emitidas e com que finalidades as demais 38, das 41 notas emitidas por seu escritório de advocacia.
Não explicou ainda por que contratou como sua administradora a irmã do sócio e contador do Careca do INSS, acusado de ser o cabeça do sistema de corrupção no Instituto.
Flávio parece seguir à risca a orientação de Steve Bannon:
“acuse-os do que você faz, chame-os do que você é“.
Faz sentido.
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