Flávio Bolsonaro (PL) afirmou neste sábado (8), em São Paulo, estar “mais do que preparado” para assumir a Presidência da República. A declaração foi feita durante um encontro voltado ao eleitorado feminino, três dias depois de anunciar o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) como vice.
“Fui quatro vezes deputado, sou senador há quase oito anos, sendo quatro deles ao lado do presidente Jair Bolsonaro. Estou mais do que preparado para assumir o comando desse País”, afirmou.
A tentativa de transmitir experiência e segurança ocorre, porém, em um momento em que a candidatura está cercada por investigações e controvérsias envolvendo tanto Flávio quanto seu companheiro de chapa.
Um dos principais focos de desgaste é o caso Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro financiado com recursos do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Flávio participou diretamente da captação do dinheiro para a produção e admitiu ter procurado Vorcaro em busca dos recursos.
Em julho, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a Polícia Federal a investigar os repasses, que chegaram a R$ 61 milhões. A apuração envolve suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção e também deverá verificar se emendas parlamentares de Flávio beneficiaram interesses relacionados ao Banco Master.
O senador nega qualquer irregularidade e sustenta que buscou financiamento privado para um projeto privado.
A escolha de Alfredo Gaspar para a vice também levou uma crise para dentro da chapa. O deputado foi alvo, em março, de uma notícia-crime apresentada à Polícia Federal por Lindbergh Farias (PT-RJ) e Soraya Thronicke (Podemos-MS), que pediram a apuração de uma acusação de estupro de vulnerável.
Gaspar nega a acusação e reagiu apresentando medidas judiciais contra os dois parlamentares. Também divulgou exames de DNA para contestar a alegação de que seria pai de uma jovem citada no caso.
É nesse cenário que Flávio tenta deslocar o debate para suas propostas de campanha. No evento deste sábado, prometeu declarar “guerra ao narcotráfico”, classificar organizações criminosas como terroristas e colocar o Brasil entre as sete maiores economias do mundo.
O senador também fez acenos às mulheres, com promessas de ampliar o acesso ao microcrédito para empreendedoras e criar uma “central da mulher”, com atendimento presencial e digital para vítimas de violência.
As propostas vieram acompanhadas de ataques ao governo Lula e da promessa de “tirar o Brasil do vermelho”. O discurso busca reforçar sua imagem como alternativa de poder enquanto a chapa enfrenta questionamentos políticos e jurídicos que ameaçam ocupar espaço crescente na campanha.
Com vice alvo de acusação de estupro, Flávio se diz “preparado” em encontro com mulheres
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