O governador do Ceará e candidato à reeleição Elmano de Freitas (PT) usou o primeiro debate eleitoral promovido pela Band, na noite deste domingo (9), para expor as contradições de Ciro Gomes (PSDB) em sua tentativa de se afastar do bolsonarismo ao mesmo tempo em que disputa o governo estadual com o apoio do PL, partido de Jair e Flávio Bolsonaro.
Em um dos embates mais duros da noite, Elmano confrontou diretamente Ciro sobre os aliados que compõem seu palanque no Ceará e também cobrou uma posição do ex-governador sobre o escândalo do Banco Master e as denúncias envolvendo Flávio Bolsonaro.
“Nós somos do time que vota em Lula. E você é o que está caladinho com a denúncia do Banco Master e do Flávio Bolsonaro. É você que tem no Senado o capitão do motim. É você que tem um senador bolsonarista que rezou para o Lula morrer. Tenha coragem de assumir suas posições políticas. Eu assumo as minhas”, disparou Elmano.
O “capitão do motim” citado pelo governador é Capitão Wagner (União Brasil), aliado de Ciro e candidato ao Senado. O outro nome mencionado por Elmano é Alcides Fernandes, do PL, também candidato ao Senado na chapa apoiada pelo grupo de Ciro.
Ciro tentou rebater a associação com o bolsonarismo lembrando que disputou a presidência da República em 2022 contra Lula e Jair Bolsonaro. “No último debate que eu participei, se duvidar, foi eu, Lula e Bolsonaro. Nós discutimos claramente porque eu represento outra coisa, o resto é para fazer intriga com você”, afirmou.
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Aliança de Ciro com o PL virou crise entre Michelle e Flávio
A tentativa de Ciro de se apresentar como distante do bolsonarismo esbarra, porém, na composição eleitoral montada no Ceará. O PL oficializou em julho apoio à candidatura do tucano ao governo estadual e indicou Alcides Fernandes para disputar uma das vagas ao Senado.
Em junho, ao defender publicamente a aliança, Ciro chegou a qualificar integrantes do grupo bolsonarista que o apoia como “homens honrados e limpos”. Entre os aliados estavam Capitão Wagner e Alcides Fernandes.
A costura política provocou inclusive uma crise pública dentro da família Bolsonaro. Michelle Bolsonaro se insurgiu contra o acordo do PL cearense com Ciro, enquanto Flávio Bolsonaro respaldou a articulação comandada pelo presidente estadual da sigla, o deputado André Fernandes, filho de Alcides. A disputa entre Michelle e o enteado ganhou repercussão nacional justamente por causa da aliança no Ceará.
O movimento também alterou a percepção de parte do eleitorado sobre Ciro. Pesquisa Quaest divulgada no fim de julho mostrou que 20% dos entrevistados no Ceará acreditavam que ele seria o candidato ao governo apoiado por Jair Bolsonaro.
Foi esse vínculo que Elmano procurou explorar durante o debate, contrapondo seu palanque, alinhado à reeleição de Lula, ao grupo formado por Ciro e aliados da direita e do bolsonarismo no estado.
Facções e segurança pública elevam temperatura do debate
Outro dos principais confrontos entre Elmano e Ciro ocorreu em torno da segurança pública. O governador reagiu às críticas do adversário sobre o avanço das organizações criminosas no Ceará lembrando que a primeira célula do Comando Vermelho no estado surgiu em 1993, período em que Ciro ocupava o governo cearense.
“Vocês podem olhar nas nossas páginas. O Comando Vermelho chegou ao estado do Ceará, a sua primeira célula, em 1993. Governador não era eu, era você. Portanto, a semente do Comando Vermelho iniciou nesse estado com você, governador. Não foi comigo, não”, afirmou Elmano.
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O governador disse ainda que sua gestão vem enfrentando as facções por meio de prisões e do bloqueio de recursos ligados ao crime organizado.
“Eu que estou tendo que ter o trabalho, com coragem, para enfrentar a facção. Para botar 5 mil faccionados na cadeia. Para tirar R$ 3 bilhões e 300 milhões das mãos deles para poder dar paz ao povo cearense. E dizer ao nosso povo que o trabalho vai continuar. Nós não vamos recuar um centímetro”, afirmou.
Dados citados por Elmano durante o debate também foram registrados pela cobertura do encontro: segundo o governador, cerca de 5 mil integrantes de facções foram presos em 2025 e R$ 3,3 bilhões foram retirados das organizações criminosas. Ele também mencionou investimentos em inteligência, Polícia Militar e equipamentos para o combate ao crime.
Em outro momento, Elmano voltou a relacionar o tema da segurança às alianças políticas de Ciro.
“É por isso que esse Estado colocou na cadeia 5 mil faccionados em 2025 a mais. É por isso que esse Estado retirou do crime organizado R$ 3 bilhões e 300 milhões, e pode conferir o dado, candidato. E é por isso que nesse Estado os chefes de facção fugiram. Estão no Rio de Janeiro, sabe onde? Onde é administrado há anos pelo PL, o seu partido aliado, do lado que você está, com o seu time. O seu time é o que esconde o chefe de facção nesse país”.
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Ciro classificou a acusação como “baixaria” e respondeu que, durante seu governo, uma organização criminosa não teria espaço para se estabelecer no Ceará. O tucano também criticou a política de pessoal da atual gestão na segurança pública e afirmou que o governo Elmano teria enfraquecido a estrutura da Polícia Militar.
Elmano expõe ligação de Ciro Gomes com bolsonaristas: “Tá caladinho sobre Banco Master e Flávio Bolsonaro”
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