Fernando Haddad (PT) escolheu a segurança pública para colocar uma de suas primeiras propostas de governo no centro da disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. O candidato apresentou nesta segunda-feira (10) o SP Que Protege, programa que prevê uma agência estadual contra facções, retomada da gravação contínua pelas câmeras corporais de policiais militares e uso ampliado de inteligência artificial.
A principal novidade é a criação de uma Agência Estadual Antifacção, estrutura permanente de inteligência e investigação vinculada diretamente ao governador. A proposta é reunir polícias, Ministério Público, Receita Estadual e órgãos de controle para atacar principalmente o patrimônio e os negócios usados por organizações criminosas dentro da economia formal.
A ideia é deslocar parte do enfrentamento ao crime organizado do policiamento ostensivo para o rastreamento de dinheiro, empresas e patrimônio. O plano prevê bloqueio de bens, identificação de mecanismos de lavagem de dinheiro e destinação social de patrimônio confiscado de organizações criminosas.
A campanha de Haddad cita como referência a Operação Carbono Oculto, que investigou esquemas de lavagem de dinheiro e fraudes no setor de combustíveis e chegou a empresários e agentes do mercado financeiro.
O objetivo, segundo o programa, é atingir o crime organizado também no chamado “andar de cima”, onde recursos obtidos ilegalmente passam a circular por empresas e operações financeiras aparentemente regulares.
Outra proposta de destaque é a retomada da gravação ininterrupta das câmeras corporais utilizadas por policiais militares.
Pelo modelo defendido por Haddad, o equipamento permaneceria registrando a atuação do policial durante todo o período de serviço, sem depender de acionamento individual. O tema estabelece um contraste direto com mudanças realizadas na política de câmeras corporais durante a gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos).
O SP Que Protege também prevê uma força-tarefa permanente no Porto de Santos, considerada uma das principais portas de entrada e saída de mercadorias do país e rota utilizada pelo tráfico internacional.
A estrutura reuniria governo estadual, órgãos federais, Receita Federal, Polícia Federal, autoridade portuária e Marinha, além da nova agência antifacção. A proposta é dar caráter permanente à atuação integrada contra o tráfico transnacional e outras organizações que operam na região portuária.
A tecnologia ocupa outro eixo do programa. Haddad propõe o uso de inteligência artificial para cruzar imagens de câmeras, boletins de ocorrência e chamadas ao 190, com o objetivo de identificar áreas de maior concentração de crimes e orientar o patrulhamento.
A mesma tecnologia seria aplicada em casos de violência contra a mulher, ajudando a identificar situações de maior risco, e também na integração de investigações feitas por diferentes órgãos.
O programa inclui ainda medidas específicas contra feminicídios e contra roubos e furtos de celulares.
A escolha da segurança como uma das primeiras áreas apresentadas pela campanha também tem relação direta com o cenário eleitoral.
Pesquisa Genial/Quaest divulgada em julho mostrou que 34% dos paulistas consideram a segurança o principal problema do estado, à frente da saúde, citada por 19%, e da educação, mencionada por 6%.
É também uma área sensível para Tarcísio. No mesmo levantamento, 39% avaliaram negativamente a atuação do governo paulista na segurança, enquanto 37% classificaram a gestão como regular e 24%, como positiva.
Haddad pretende explorar esse flanco ao longo da campanha.
O plano também prevê a criação de um “Placar da Segurança”, com divulgação trimestral de índices de esclarecimento de roubos, furtos, homicídios e feminicídios, separados por região e acompanhados de metas públicas.
O documento apresentado pela campanha cita ainda que São Paulo esclareceu 31% dos homicídios registrados em 2023, dado usado pelo petista para defender maior cobrança sobre resultados das forças de segurança.
Ao lançar o programa antes de detalhar propostas para outras áreas, Haddad deixa claro que pretende levar a segurança para o centro da eleição paulista e transformar o tema em um dos principais terrenos de confronto com Tarcísio.
Haddad propõe agência antifacção e câmeras ininterruptas para PMs em plano de segurança para SP
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