O Piauí registrou o maior avanço no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) para o ensino médio desde o início da série histórica do indicador, em 2005, saltando de 2,3 para 4,9 e alcançando a segunda maior nota do país.
Os resultados do Ideb 2025 mostram que o estado chegou a esse patamar com 81% das matrículas do ensino médio em tempo integral, maior percentual nacional, após o governador Rafael Fonteles (PT) definir a educação como eixo estruturante do desenvolvimento estadual.
Há duas décadas, o Piauí ocupava a última posição no Ideb do ensino médio entre todos os estados brasileiros, com nota 2,3. Agora, o estado figura em segundo lugar no ranking nacional, com 4,9, atrás apenas do Paraná. O crescimento de 2,6 pontos no período é o maior registrado no país para essa etapa de ensino.
A distância para os demais estados é expressiva: Goiás e Pernambuco, que aparecem logo atrás na lista dos que mais avançaram, registraram aumento de 2 pontos no mesmo intervalo.
O salto piauiense, portanto, supera em 30% o segundo maior crescimento nacional, consolidando o estado como o caso mais notável de recuperação educacional desde que o indicador passou a ser medido.
Papel do ensino em tempo integral
A estratégia que sustenta os números tem nome: expansão acelerada do ensino em tempo integral. O Piauí passou de 21% para 81% das matrículas do ensino médio nessa modalidade, o maior percentual do país. Pernambuco, referência histórica no modelo, tem 61% dos alunos em tempo integral.
Segundo o secretário de Educação, Rodrigo Torres, a aceleração dos resultados nos últimos dois anos não foi coincidência.
Em 2023, o governador Rafael Fonteles (PT) definiu a educação como eixo estruturante do projeto de desenvolvimento do estado, o que se traduziu em metas concretas: universalizar o ensino integral no ensino médio, integrado à educação profissional, e reformar a infraestrutura de quase todas as escolas para comportar o novo modelo, com laboratórios, quadras e refeitórios.
Torres classificou o investimento como alto, mas necessário para garantir qualidade.
Impacto na proficiência e aprovação
Um dos argumentos mais recorrentes contra políticas de redução da reprovação é o de que aprovar mais compromete o desempenho.
Porém, os dados do Piauí desafiam essa lógica. A taxa de aprovação no ensino médio passou de 65% para 99,5%: dos cerca de 103,3 mil alunos matriculados, apenas 103 foram reprovados e 415 abandonaram os estudos no ano passado.
Ao mesmo tempo, a proficiência cresceu em ritmo muito superior à média nacional. Em duas décadas, a nota média em matemática subiu 46,84 pontos, chegando a 286,6 em uma escala de 500.
Em português, o avanço foi de 43,17 pontos. Para comparar: a média das redes estaduais do país avançou apenas 8,46 pontos em matemática e 24,63 pontos em português no mesmo período.
A concentração do crescimento nos últimos dois anos é o dado que mais chama atenção. De 2023 a 2025, os estudantes piauienses avançaram 20 pontos em matemática e 13 em português.
Como 12 pontos na escala do Ideb equivalem a um ano de aprendizado, isso significa que, desde 2005, os alunos do estado passaram a aprender o equivalente a quase quatro anos a mais de conteúdo em matemática, com a maior parte desse ganho concentrada justamente no período em que o tempo integral foi expandido de forma massiva.
Piauí tem 81% das escolas em tempo integral e dá aula para o Brasil de resultados
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