Pesquisa Ideia, divulgada nesta segunda-feira (10), aponta que as ex-ministras do governo Lula Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) lideram a disputa pelas duas vagas paulistas nas eleições de 2026, enquanto candidatos da direita e extrema direita sofrem com a fragmentação de seus votos.
No levantamento que considera os dois votos a que cada eleitor terá direito, Tebet registra 27% das intenções de voto, seguida de perto por Marina, com 23%, configurando um empate técnico dentro do limite da margem de erro de 2,3 pontos percentuais.
Logo atrás, o bloco bolsonarista aparece embolado e dividindo o mesmo eleitorado. O ex-secretário de Segurança Guilherme Derrite (PP) e o deputado André do Prado (PL) marcam 19% cada, também próximos do limite da margem de erro com Marina. O ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles (Novo) vem na sequência, com 16%, em situação de empate técnico com Derrite e Prado.
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Apesar da liderança de Tebet e Marina, o cenário ainda é de indefinição. Ao considerar os dois votos, 42% dos eleitores paulistas não souberam indicar um candidato, e 10% disseram votar em branco ou nulo.
O levantamento, encomendado pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP), ouviu 1.800 eleitores entre 5 e 8 de agosto.
Racha na extrema direita
A divisão de forças na direita acendeu o alerta no PL. Durante o fim de semana, o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) rifou Salles publicamente ao declarar que Derrite e Prado, nomes apoiados pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), são os “dois únicos” que contam com seu apoio oficial.
Salles e Prado trocaram farpas nas últimas semanas. O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) impôs ao parlamentar do Novo duas multas no valor de R$ 5 mil cada uma por uma postagem de rede social contra André do Prado.
A publicação trazia um vídeo que foi veiculado no Instagram em 17 de julho, no qual Salles colocava em questão o posicionamento de Prado como representante da direita. “Me perguntaram por que o PL escolheu o André do Prado e não eu. A resposta é direta: o André nunca foi, não é e nunca será um candidato de direita”, disse o ex-ministro de Jair Bolsonaro. “Prado pediu voto pra Dilma em 2010. Apoiou todas as medidas restritivas do Doria na pandemia. É pupilo do Valdemar, e acabou de prêmio de consolação no Senado depois que o Tarcísio recusou ele de vice.”
Em entrevista concedida ao jornal Folha de S. Paulo, publicada na sexta-feira (7), Prado falou sobre Salles. “Ele [Salles] diz que não me vê como direita, porque não foi o escolhido do Tarcísio e da família Bolsonaro [para o Senado], por causa da última eleição [à prefeitura de São Paulo, em 2024]. Salles ficou contrariado e resolveu sair do partido. Saiu atirando, falou mal da família Bolsonaro, que foi quem abriu as portas para ele ter a votação que teve [a deputado federal, em 2022]. Salles é um ingrato.”
“Sempre fui de direita, conservador. Ser de direita é querer um Estado mais enxuto para sobrar mais dinheiro para investimento, ter uma economia mais liberal para poder fazer o que temos feito em São Paulo, com parcerias público-privadas”, disse ainda Prado.
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