Eduardo Bolsonaro exibiu em publicação nas redes sociais nesta segunda-feira (10) três armas que afirma ter comprado nos Estados Unidos e transformou a aquisição em propaganda a favor do armamento da população. O ex-deputado mostrou uma espingarda calibre 12, uma pistola Glock 9 mm e um rifle semiautomático AR-15. Em outro vídeo, ao comparar os preços praticados nos EUA com os do Brasil, apresentou valores que, somados, chegam a quase R$ 10 mil.
Na comparação feita pelo próprio Eduardo, aparecem uma arma de US$ 1 mil, um rifle semiautomático calibre .22 de US$ 524 e a informação de que um AR-15 pode ser encontrado por entre US$ 350 e US$ 400. A soma fica entre US$ 1.874 e US$ 1.924. Com o dólar na faixa de R$ 5,11 nesta terça-feira (11), isso representa aproximadamente R$ 9,6 mil a R$ 9,8 mil. O ex-deputado não exibe uma nota fiscal única nem discrimina no vídeo o preço individual efetivamente pago em cada uma das três armas apresentadas na primeira gravação; o cálculo considera os valores que ele próprio usa no comparativo.
https://x.com/BolsonaroSP/status/2086838735753085349
Eduardo Bolsonaro exibe AR-15, Glock e calibre 12
No primeiro vídeo, Eduardo Bolsonaro apresenta a compra como demonstração das diferenças entre a legislação e o mercado de armas dos Estados Unidos e do Brasil. Ele diz que o processo para receber o armamento levou cinco dias por causa da checagem de antecedentes, o chamado background check.
Em seguida, mostra as três armas. A primeira é uma espingarda calibre 12, que associa à defesa pessoal. A segunda é uma Glock 9 mm, modelo que relaciona ao período em que atuava como escrivão da Polícia Federal. Por último, apresenta o AR-15, plataforma de rifle semiautomático bastante difundida no mercado norte-americano.
Ao longo da gravação, Eduardo chama os Estados Unidos de “terra da liberdade” e contrapõe a facilidade que afirma encontrar no país às regras brasileiras para aquisição de armas. A compra é usada pelo ex-deputado para retomar uma das bandeiras históricas do bolsonarismo: a ampliação do acesso da população civil a armamentos.
Preços mostrados por Eduardo Bolsonaro chegam a quase R$ 10 mil
Na segunda parte da série, Eduardo Bolsonaro entra diretamente na comparação de preços. Ele mostra um rifle semiautomático calibre .22 anunciado por US$ 524 e afirma que modelos de AR-15 podem ser encontrados a partir de aproximadamente US$ 350 a US$ 400.
Em outro momento, ao comparar o mercado norte-americano com uma arma que diz ter lhe custado cerca de R$ 16 mil no Brasil, Eduardo aponta um valor de aproximadamente US$ 1 mil nos Estados Unidos. É da soma dessas referências apresentadas na gravação que resulta o patamar de quase R$ 10 mil.
https://x.com/BolsonaroSP/status/2086948336242729254
A comparação reforça o argumento político de Eduardo de que o preço e a burocracia restringiriam o acesso às armas no Brasil. Os próprios vídeos, no entanto, misturam as armas que ele afirma ter acabado de adquirir com outros modelos e preços encontrados na loja, sem apresentar recibos que permitam estabelecer o desembolso exato de cada item comprado.
Eduardo Bolsonaro fala em “formar milícias para derrubar ditadores”
O trecho de maior repercussão ocorre quando Eduardo Bolsonaro deixa a comparação de preços e recorre à Segunda Emenda da Constituição dos Estados Unidos para justificar o armamento de civis.
Ao falar sobre o dispositivo constitucional, Eduardo afirma que ele garantiria ao cidadão o direito não apenas de portar armas, mas de “formar milícias para derrubar ditadores que não respeitam o direito do povo”.
https://x.com/vinicios_betiol/status/2086911791398080998
A expressão sobre “derrubar ditadores”, porém, não aparece no texto da Segunda Emenda. O texto oficial disponibilizado pelo Congresso dos Estados Unidos menciona uma “milícia bem regulamentada”, considerada necessária à segurança de um Estado livre, e estabelece o direito do povo de manter e portar armas. Não há referência literal à derrubada de governantes ou de “ditadores”.
A fala apresentada por Eduardo é, portanto, uma interpretação política feita por ele a partir do dispositivo constitucional, e não uma reprodução do que está escrito na Segunda Emenda.
Ao unir a compra de armas, a comparação de preços e a defesa da formação de “milícias”, Eduardo Bolsonaro transforma uma ida a uma loja de armamentos nos Estados Unidos em conteúdo político voltado ao público brasileiro e retoma um dos discursos mais recorrentes do bolsonarismo sobre armas e autodefesa.
Eduardo Bolsonaro gasta quase R$ 10 mil com AR-15, Glock e calibre 12 e fala em “formar milícias”
💬 Comentários (0)
Seja o primeiro a comentar!