A ex-primeira-dama e candidata ao Senado pelo Distrito Federal, Michelle Bolsonaro (PL), conversou com a imprensa após se reunir com Flávio Bolsonaro (PL) para gravar materiais da campanha presidencial do enteado.
Questionada sobre as desavenças com Flávio Bolsonaro, a ex-primeira-dama afirmou que “nenhuma família é perfeita”:
“Foi ótimo. Todo mundo muito empolgado, todo mundo no mesmo espírito de união. Colocamos uma pedra… As desavenças existem, mas qual família é perfeita? Graças a Deus, nós conversamos e nos unimos em prol de algo muito maior, que é a nossa nação.”
Em outro momento, Michelle Bolsonaro classificou todo o entrevero com o PL como “um desgaste desnecessário”:
“Foi um desgaste muito grande e desnecessário, porque eu fui ao PL para entregar a presidência do movimento e eles pediram para que eu tirasse uma licença. Então, poderia ter evitado esse desgaste. Aconteceu o que vocês já sabem, mas agora é página virada. Agora é trabalharmos todos unidos para resgatar o nosso Brasil.”
https://x.com/Metropoles/status/2087252680976617891
https://x.com/GloboNews/status/2087256440222433619
Flávio Bolsonaro incita impeachment de Moraes com candidatos ao Senado antes de gravar com Michelle
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reuniu nesta terça-feira (11), na sede de sua campanha em Brasília, cerca de 20 candidatos ao Senado que apoia e os questionou diretamente sobre o apoio a um eventual impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Em coro, os presentes responderam “sim” e “com certeza”.
O encontro combinou alinhamento de discurso, gravações para o horário eleitoral e a primeira aparição presencial conjunta com Michelle Bolsonaro desde a “reconciliação” dos dois no mês passado.
Flávio Bolsonaro ataca Moraes e articula impeachment
Diante dos candidatos reunidos, Flávio Bolsonaro fez a pergunta em voz alta: “Vocês são a favor de impeachment do Alexandre de Moraes?” A resposta veio em uníssono. O senador havia acabado de afirmar que o ministro “virou o grande articulador político do Lula” e que, ao “vir para a seara política”, autorizou todos os políticos a responderem no mesmo campo. “Eu lamento. Você vê que Alexandre de Moraes hoje virou o grande articulador político do Lula, promovendo encontro dentro da casa dele com outros políticos. Mas o Alexandre de Moraes veio para a seara política, então todos os políticos estão autorizados a responder dentro da política também”, disse Flávio a jornalistas.
O senador foi além do ataque e transformou a pauta em compromisso eleitoral explícito: afirmou que os candidatos serão cobrados pela população, nas eleições, a apoiarem o impeachment de Moraes. A acusação de que o ministro atua como operador político do governo Lula é um enquadramento recorrente no bolsonarismo para deslegitimar o STF, mas Flávio a converteu, nesta terça, em critério de seleção e alinhamento para sua bancada no Senado. Segundo a Folha de S.Paulo, Flávio lançou 47 nomes para o Senado, sendo que a maioria é abertamente a favor de condenar ministros do STF à perda do cargo.
Contexto político das acusações
A referência de Flávio era direta: na semana passada, o presidente Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), se reuniram na casa de Moraes, com a participação do ministro Cristiano Zanin. O encontro foi articulado para reaproximar os dois, que estavam rompidos desde abril, quando o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias para uma vaga no STF. Para o bolsonarismo, o fato de a reunião ter ocorrido na residência do ministro é evidência suficiente de que Moraes atua como mediador político do governo, argumento que Flávio usou para justificar a pauta de impeachment.
O senador também deixou claro o cálculo eleitoral por trás da mobilização. “O presidente da República indica o ministro do Supremo. O próximo indicará quatro. Quem tira é o Senado”, disse, conectando a composição futura da Corte à necessidade de eleger aliados. Além do impeachment, Flávio sinalizou que precisará de senadores para avançar em mudanças legislativas, como a redução da maioridade penal. A estratégia revela que o ataque a Moraes não é apenas retórica de campanha: é o eixo em torno do qual Flávio tenta construir uma bancada coesa e comprometida com uma agenda de confronto ao STF.
Alinhamento político e campanha eleitoral
O encontro na sede da campanha em Brasília tinha objetivos práticos além do alinhamento de discurso: produzir material para o horário eleitoral e para as redes sociais. Entre os presentes estavam nomes como Guilherme Derrite (PP-SP) e Bia Kicis (PL-DF). À tarde, Michelle Bolsonaro (PL), candidata ao Senado pelo Distrito Federal, chegou para gravar propagandas eleitorais ao lado de Flávio, em seu primeiro encontro presencial com o enteado desde a reconciliação do mês passado. Antes disso, a trégua havia se dado pelas redes: Flávio publicou um vídeo pedindo desculpas e Michelle respondeu publicamente que aceitava o pedido.
Flávio não poupou elogios à ex-primeira-dama. Chamou-a de “pessoa qualificada” e destacou o trabalho dela com a comunidade surda durante o governo Jair Bolsonaro. Afirmou ainda que Michelle e Bia Kicis “vão ter, obviamente, acesso direto à Presidência da República” caso ele vença a eleição, projetando a candidatura de Michelle como extensão natural de um eventual governo Flávio. Apesar da participação nas gravações, a ex-primeira-dama deverá manter presença limitada nos atos presenciais da campanha: ela não deve comparecer ao primeiro evento oficial de Flávio, marcado para Copacabana. A campanha já planejava incorporar a imagem de Michelle ao horário eleitoral e a materiais impressos, e a gravação desta terça dá forma concreta a esse plano, capitalizando o capital político construído por ela à frente do PL Mulher.
A reação de Michelle após encontro com Flávio Bolsonaro
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