O empresário Clébio Lopes Pereira, conhecido como Clébio Jacaré, candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro pelo União Brasil, declarou à Justiça Eleitoral possuir R$ 11,9 milhões em dinheiro vivo para a eleição deste ano, parte de um patrimônio total de R$ 57 milhões.
O valor em espécie cresceu 158% em dois anos em relação ao declarado em 2024, quando Jacaré tentou disputar a Prefeitura de Nova Iguaçu e teve a candidatura indeferida pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro por envolvimento na Operação Apanthropia, do GAECO, que o aponta como líder de organização criminosa instalada em prefeituras fluminenses.
O dinheiro em espécie é a parcela mais chamativa do patrimônio milionário. O restante inclui quotas avaliadas em R$ 20 milhões, participações empresariais e imóveis. Em 2024, Jacaré havia declarado ainda R$ 98 mil em moeda estrangeira, valor que no registro atual aparece associado a uma conta bancária no exterior.
Histórico de investigações e indeferimento de candidatura
A candidatura de Jacaré em 2024 foi indeferida pelo TRE-RJ em razão de seu envolvimento na Operação Apanthropia, deflagrada pelo GAECO. Na operação, ele é apontado como mentor e líder de uma organização criminosa que se instalou na Prefeitura de Itatiaia. Preso em 2022 no âmbito das investigações, foi solto em seguida.
No pedido de prisão deferido pelo juiz Marcello Rubioli, o GAECO descreveu o esquema: segundo o documento, o grupo liderado por Jacaré “arrenda informalmente prefeituras fluminenses mediante pagamento de propina a prefeitos e vereadores, e, no momento seguinte, inicia uma série de negócios escusos”.
Conexões com outras operações e papel de “prefeito paralelo”
Segundo as investigações do GAECO, Jacaré atuava como uma espécie de prefeito paralelo e oculto em Itatiaia. De acordo com o apurado, ele designou um homem de confiança, Fábio Alves Ramos, também preso na operação, para ocupar o cargo de chefe de gabinete do prefeito Imberê Moreira Alves entre janeiro e junho de 2021.
Ainda conforme as investigações do GAECO, assim que o acordo foi fechado, Jacaré e seus parceiros providenciaram a exoneração de todo o secretariado e indicaram os substitutos, cabendo a Imberê apenas assinar os atos.
O nome de Jacaré também apareceu, em 2020, nas investigações da Operação Favorito, que resultou na queda do governador Wilson Witzel.
Segundo as investigações da operação, ele estava associado a dois empresários presos por venderem máscaras de proteção à Covid-19 ao estado a preços superfaturados, sendo que um deles teria subcontratado uma empresa do grupo de Clébio para viabilizar o esquema.
Quem é o candidato que declarou à Justiça Eleitoral ter R$ 11,9 milhões em dinheiro vivo
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