Em uma ofensiva internacional para defender a democracia brasileira e desmentir o suposto monopólio bolsonarista sobre a fé, representantes da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito desembarcaram em Washington, capital dos Estados Unidos, na última semana. O grupo progressista entregou uma carta a congressistas do país alertando sobre os riscos de interferência externa nas eleições de outubro.
O documento foi entregue estrategicamente nos gabinetes de parlamentares com forte atuação religiosa e em defesa das instituições, como o senador Raphael Warnock, pastor da histórica Igreja Batista Ebenezer, mesma congregação que abrigou o ativista Martin Luther King Jr., o também senador Adam Schiff, influente na comunidade judaica, e a deputada Hillary Scholten, que atuou como diácona da Igreja Cristã Reformada.
A carta, de acordo com a coluna de Bela Megale, tem como ponto central denunciar a ameaça à integridade do sistema eleitoral brasileiro, manifestando profunda preocupação com planos gestados durante a administração de Donald Trump de enviar funcionários a Brasília com o objetivo de questionar e descredibilizar as urnas no Brasil.
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Além de rechaçar qualquer intervenção externa, a Frente aproveitou a agenda em Washington para quebrar uma narrativa construída pela extrema direita. Os signatários ressaltaram aos estadunidenses que os líderes religiosos que apoiam publicamente o senador Flávio Bolsonaro (PL) não representam a totalidade da comunidade evangélica brasileira, que, segundo eles, é plural e politicamente diversa.
O que é a Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito
A frente foi criada em 2016, durante o processo de impedimento da então presidenta Dilma Rousseff. “Uma tentativa de dizer que os evangélicos brasileiros não são representados por um único segmento, que nem todo crente é de direita, ou cooptado pelas estruturas de poder. Junto com isso, mostrar que a Bancada Evangélica não representa os evangélicos, além daqueles que votaram em tais candidatos”, lembrava, em uma entrevista concedida em 2018, a coordenadora da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, Nilza Valéria.
“A Frente surge dessa inquietação, naquele que foi um momento de angústia, em que se consolidou o golpe contra a democracia brasileira. A Frente surge denunciando esse golpe, em defesa da democracia e do estado de direito – condições necessárias para que se promova justiça e equidade”, disse ainda Nilza.
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