PSB expulsa prefeito que ameaçou servidores de demissão se não votassem em Flávio Bolsonaro

PSB expulsa prefeito que ameaçou servidores de demissão se não votassem em Flávio Bolsonaro
- Prefeito de Campestre do Maranhão, Fernando Oliveira da Silva, conhecido como Fernando Bermuda - Foto:...

O Partido Socialista Brasileiro (PSB) expulsou Fernando Oliveira da Silva, conhecido como Fernando Bermuda, prefeito de Campestre do Maranhão (MA), após acusações de que ele teria coagido servidores municipais a votarem em Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições presidenciais, sob ameaça de demissão.
A decisão foi divulgada depois de reunião extraordinária do diretório estadual. O partido formalizou o desligamento por meio de resolução, invocando “grave infidelidade partidária” e atuação organizada contra as diretrizes da legenda, que integra a coligação com o PT na disputa pela Presidência da República.
A Comissão Estadual do PSB no Maranhão aprovou a expulsão. Na resolução, o partido afirma que o prefeito atuou de forma organizada contra as diretrizes da legenda, que neste ano forma coligação com o Partido dos Trabalhadores (PT) na disputa pela Presidência e pela Vice-Presidência do Brasil.
Para o partido, não se tratou de uma preferência eleitoral individual, mas de um comportamento sistemático em favor de candidaturas de outras siglas.
Defesa do prefeito e posição do partido
Após a repercussão do caso, Fernando Bermuda reconheceu, em nota, que utilizou palavras e tom “inadequados” em uma conversa informal, mas negou ter ameaçado, coagido ou perseguido servidores por posicionamento político ou voto.
Segundo ele, nenhum funcionário público municipal foi demitido, afastado ou punido por razões eleitorais.
O PSB não aceitou a versão. Na resolução, o partido afirmou que a conduta de Bermuda revela “rompimento com a fidelidade partidária e afronta à autoridade das instâncias”, caracterizando o episódio como “atuação política organizada” em favor de candidaturas de outros partidos.
A legenda considerou agravante o fato de Bermuda exercer um mandato de prefeito conquistado pelo próprio PSB, o que, segundo o documento, impõe responsabilidade ainda maior de seguir os princípios e as orientações partidárias.
O partido apontou, ainda, que a atuação de Bermuda contrariou a estratégia eleitoral nacional da sigla, incluindo o apoio a Geraldo Alckmin à vice-presidência da República.
Implicações e contexto político
A expulsão reforça o alinhamento do PSB com o campo progressista às vésperas das eleições de 2026. No Maranhão, o partido apoia a candidatura de Felipe Camarão (PT) ao governo estadual, enquanto Bermuda havia declarado voto em Orleans Brandão (MDB).
A ruptura com o prefeito, portanto, não se limitou ao episódio das mensagens: refletiu um distanciamento político mais amplo em relação à linha da legenda.
A resolução do PSB também aponta que as condutas atribuídas ao prefeito apresentam, “em tese”, características de possíveis ilícitos eleitorais, como abuso de poder político, mas ressalta que cabe à Justiça Eleitoral apurar e julgar.
Não há, até o momento, processo judicial ou eleitoral confirmado contra Bermuda em decorrência das acusações.

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