Caiado chama Flávio Bolsonaro de “desesperado” após tom de fúria por fala de Kassab

Caiado chama Flávio Bolsonaro de “desesperado” após tom de fúria por fala de Kassab
- Ronaldo Caiado e Flávio Bolsonaro em ato na Paulista no dia 1º de março de 2026 (Arthur...

A guerra de trincheiras dentro do campo da extrema direita brasileira ganhou contornos de pura desestabilização emocional e tiroteio ostensivo no início deste período oficial de campanha. O pivô do mais recente chacoalhão político foi uma análise crua e pragmática do ex-prefeito paulista e presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, vice na chapa do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD). Ao declarar categoricamente a empresários que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) carrega “chance zero” de vitória nas urnas, Kassab deflagrou uma onda de fúria desmedida no comitê do PL e em Flávio, e a reação que acabou ricocheteando no próprio presidenciável do PL, agora explicitamente achincalhado por seus concorrentes do mesmo espectro ideológico.
A declaração de Kassab, proferida na última quinta-feira (13), expôs as entranhas do pragmatismo do Centrão. O dirigente partidário pontuou que amplos setores do bloco já migraram ou se alinharam tacitamente à candidatura de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), deixando o filho de Jair Bolsonaro isolado em uma bolha ideológica de baixa tração eleitoral.
A constatação de realidade caiu como uma bomba de efeito moral no QG do Partido Liberal. Em vez de absorver o golpe com sobriedade política, a coordenação da campanha do PL partiu para um contra-ataque colérico. O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral da empreitada de Flávio, foi às redes sociais para carimbar o PSD como uma reles “linha auxiliar do PT”, acusando o sistema de ter se unido contra a candidatura familiar por “sentir-se ameaçado”.
O próprio Flávio Bolsonaro, visivelmente afetado pela declaração e abandonando a linha de cautela que vinha mantendo para preservar pontes de segundo turno, também acionou os seus perfis digitais. Em um tom inflamado, o filho do ex-presidente disparou acusações contra os “candidatos que se dizem de direita”, afirmando que a sua disputa seria “para resgatar o Brasil do cativeiro, e não pelo poder”, uma retórica pobre que apenas escancarou o incômodo com a perda de apoio da classe política tradicional.
O troco de Caiado: “Estão apavorados”
Se a intenção do PL era acuar a chapa do PSD e enquadrá-la no carimbo “de esquerda”, o tiro saiu pela culatra, e com estrondo. No último domingo (16), durante o seu primeiro ato oficial de campanha em solo goiano, Ronaldo Caiado não apenas dobrou a aposta como ridicularizou abertamente a reação raivosa de Flávio e de seus aliados.
Sem meias palavras, o ex-governador de Goiás classificou as notas raivosas e os desabafos nas redes como um claro “momento de desespero” da candidatura do PL. Caiado ironizou o cotidiano turbulento do adversário, pontuando que o comitê de Flávio se tornou uma usina diária de crises, justificativas improvisadas e desgaste de imagem.
“Realmente eles estão desesperados. Não conseguem. Todo dia é um problema. Todo dia é uma explicação. É uma surpresinha todo dia”, disparou Caiado perante apoiadores, citando abertamente o sufoco do adversário diante do constante surgimento de escândalos, a exemplo das revelações envolvendo pedidos e recebimento de recursos milionários ao ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Subindo o tom da provocação, o postulante do PSD desqualificou o discurso de que Flávio detém o monopólio da oposição conservadora no país. “Esse pessoal está apavorado. Podem ficar tranquilos que o único político com mandato no Brasil que é oposição ao Lula e que nunca votou no Lula chama-se Ronaldo Caiado”, cravou o goiano, blindando-se do rótulo de esquerdista e apontando a faca para a fragilidade do rival.
Derrocada de uma estratégia de conveniência
A virada de chave no tom de Caiado marca o esgotamento da tática de polidez que vigorava no início do ano. Nos primeiros meses do calendário eleitoral, o ex-governador limitava-se a destacar o abismo de experiência administrativa entre ele e o senador carioca, sublinhando a falta de rodagem do filho de Bolsonaro no poder Executivo, enquanto desviava delicadamente de fragilidades espinhosas como as antigas denúncias do esquema de “rachadinha”.
A tentativa desesperada de Flávio em empurrar a chapa de Caiado para o colo de Lula acabou por liberar o goiano de qualquer freio diplomático. Questionado por jornalistas sobre quem apoiaria em um eventual segundo turno disputado entre Lula e o herdeiro bolsonarista, Caiado desdenhou do cenário traçado pelo PL e cravou que será ele próprio a enfrentar o petista na etapa final da eleição, chancelando a tese de que Kassab apenas “disse o que todo mundo já sabia”.
A tempestade perfeita sobre a pré-candidatura do PL evidencia um candidato cada vez mais acossado e sem margem de manobra política. Ao responder com fúria e descalabro verbal a análises frias sobre o cenário eleitoral, Flávio Bolsonaro acaba por confirmar o diagnóstico de seus próprios adversários no campo da direita: a imagem de um presidenciável acuado, desestabilizado e tomado pelo pânico diante de uma derrocada que parece se acelerar a cada dia.

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