Em entrevista ao Fórum Onze e Meia desta segunda-feira (17), o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) debateu sobre o avanço de pautas do governo Lula (PT) no Congresso Nacional, que estavam sendo barrados pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e as expectativas para o aumento da bancada do PT no parlamento nas eleições deste ano.
Ao falar sobre as três pautas destravadas por Alcolumbre, Rogério destacou a PEC da Segurança Pública, apresentada pelo governo federal e que prevê a ampliação do combate ao crime organizado através de ações integradas entre os diferentes poderes. Rogério pontuou que muitas vezes lhe perguntam se a esquerda não tem proposta para a Segurança Pública, e ele responde justamente com a proposta.
“[A proposta] passa primeiro por prevenção – essa PEC é uma parte dela – e depois essa questão de não ver o crime organizado separadamente entre aqueles que cometem o crime e aqueles que pagam e organizam o crime. Por isso são facções criminosas e tem ali muita gente rica e que se enriquece com isso”, afirmou o deputado.
O parlamentar ainda destacou que apesar da direita e da extrema direita usarem a Segurança Pública como uma de suas bandeiras mais fortes, até hoje não foram capazes de apresentar propostas efetivas para acabar com o crime – a exemplo do Rio de Janeiro.
“A direita é eficaz para combater crime organizado? Se fosse assim, o Rio de Janeiro – que está com a extrema direita há anos lá – teria uma das melhores formas de tratar o crime organizado e liquidar com ele. E a conversa é sempre a mesma, repressão, repressão, repressão nas favelas e eles nunca resolveram nada. Ali cresceu a milícia, o Rio de Janeiro é um exemplo que a extrema direita não dá conta da questão da segurança pública”, destacou Rogério.
“Por isso eu acho que eles estavam segurando isso no Congresso, porque seguram na prática o que é o crime organizado e como eles nunca resolveram esse problema não querem deixar que a gente resolva”, acrescentou o deputado.
Por outro lado, ele ressalta que a PEC apresentada pelo governo Lula permite criar o Ministério da Segurança Pública para unificar ações das polícias civis, militares, guardas municipais e Polícia Federal para mexer “num andar de cima do crime organizado”.
“Altera também a legislação do ponto de vista de criminalizar com mais anos de prisão e punições as facções criminosas e reordena as relações entre as polícias, fazendo e facilitando com que a gente possa punir o andar de cima do crime organizado. É uma PEC muito importante para tratar da questão da Segurança Pública”, completa o deputado.
Fim da escala 6×1 e terras raras
Rogério também citou as outras duas propostas que estavam paradas no Senado, como a PEC pelo fim da escala 6×1 e o projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos.
O deputado afirma que a proposta pela redução da jornada de trabalho pode ser votada antes das eleições caso a pauta avance na Comissão de Constituição e Justiça do Senado.
Já em relação ao PL 2780/2024, Rogério pontua que não é o “projeto dos sonhos”, porque gostaria de criar o Instituto Federal das Terras Raras, mas é uma proposta que cria um comitê vinculado à Presidência da República que será responsável por analisar sobre as terras raras e “não permitir que empresas norte-americanas ou outras empresas estrangeiras explorem a terra rara sem nenhuma legislação”.
“Três projetos fundamentais. Segurança pública, diminuição da jornada de trabalho e soberania nacional das terras raras. São três assuntos estratégicos que nós queremos ver discutidos durante o processo eleitoral e implantados no Brasil”, declara Rogério.
Ampliação da bancada do PT no Congresso
Rogério também falou sobre as eleições deste ano e destacou a importância de ampliar a bancada do campo progressista, principalmente do PT, para que o governo Lula consiga avançar com suas propostas.
“Eu estou com um número muito bom que expressa o sentimento que nós queremos para o nosso país. Meu número é 1313. É Lula duas vezes, porque primeiro, nós precisamos eleger o presidente Lula, mas precisamos eleger o presidente Lula no Congresso Nacional também. Dar a ele condições de governabilidade real”, afirma o deputado.
O parlamentar ressalta que não é só uma votação de candidaturas individuais, mas de um “projeto político de formação de uma base social orgânica e firme no Congresso Nacional”. “Precisamos disso para o presidente Lula”, diz.
“Hoje nós temos em torno de 113 deputados federais que apoiam o presidente Lula e olhe lá, hein? Alguns desses aí nós temos que caçar a laço. Mas são só 113. Tem 400 que são contra. Ou são da extrema-direita ou do centrão. Tudo com muita dificuldade para o presidente Lula poder agir dentro da Câmara de Deputados. No Senado a situação se repete”, complementa Rogério.
Portanto, ele destaca a importância do campo progressista não cair no discurso de “já está eleito”, uma vez que quanto mais voto tiver cada candidato, maior a chance de ampliação da bancada.
“Quanto mais votos nós tivermos, significa, evidentemente, que nós vamos eleger mais deputados e deputadas, inclusive os que são mais novos, que é uma estratégia que a direita costuma usar, né? Aquele candidato deles aqui, que teve um milhão e meio de votos, puxou sete, oito, aquela excrescência”, pontua Rogério.
Confira a entrevista completa do deputado Rogério Correia
TV Fórum: “Rio de Janeiro é o exemplo que a extrema direita não dá conta da Segurança Pública”, diz Rogério Correia
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