“Geração de imprestáveis”: Zema ataca beneficiários de programas sociais

“Geração de imprestáveis”: Zema ataca beneficiários de programas sociais
- Romeu Zema - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O candidato à Presidência, Romeu Zema (Novo), afirmou, nesta segunda-feira (17), que programas sociais estão criando uma “geração de imprestáveis” que se recusa a trabalhar. A declaração foi feita durante a 27ª Conferência Anual Santander, no Grand Hyatt Hotel, no Brooklin, em São Paulo, diante de uma plateia de empresários.
Zema associou a ausência de contrapartidas nos programas à recusa por empregos formais e à preferência por “bicos”, e apresentou propostas para restringir o acesso aos benefícios.
“Nós estamos criando uma geração de imprestáveis, que se recusam a trabalhar e optam por ficar fazendo bico, e isso está passando de pai para filho”, afirmou o ex-governador de Minas Gerais, em declaração preconceituosa, que rapidamente ganhou repercussão.
Diante de um público alinhado a pautas de mercado e produtividade, Zema construiu seu argumento em torno da ideia de que a ausência de contrapartidas nos programas sociais estimularia a recusa ao trabalho formal.
“Que bico qualifica um profissional? Num lugar aonde não tem processo, não tem qualidade, não qualifica. Quando alguém consegue um emprego formal, ele começa a se qualificar”, acrescentou o candidato.
Ao qualificar beneficiários como “imprestáveis”, Zema associou diretamente a condição de quem recebe assistência do Estado a uma suposta falta de disposição para o trabalho, reforçando um estigma que recai sobre populações em situação de vulnerabilidade social.
Propostas para programas sociais
Além da declaração, Zema apresentou propostas concretas para reformular os programas sociais. O candidato defendeu que os benefícios precisam de revisão porque, segundo ele, “só têm porta de entrada e não têm porta de saída”, além de concentrarem “muita fraude e muito mau uso”.
A proposta mais imediata é a suspensão do pagamento para beneficiários que recusarem três ofertas de emprego. “Quem recebe, tiver 3 ofertas de emprego e recusar as 3, vai ter o pagamento suspenso”, disse Zema.
O candidato não detalhou quais seriam os critérios para qualificar essas ofertas nem como seria verificada a recusa, lacunas que definem o alcance real da medida.
Zema também propôs que beneficiários sem o ensino fundamental ou médio concluído sejam obrigados a retomar os estudos como condição para manter o benefício.
A exigência de escolarização como contrapartida é apresentada pelo candidato como instrumento de qualificação profissional, embora a proposta não contemple as condições de acesso à educação nas regiões onde a pobreza é mais concentrada.

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