O motorista de Fernando Haddad (PT), Alessandro Caseri, prestou depoimento nesta segunda-feira (17) e manteve a versão de que foi seguido por viaturas da Polícia Militar após deixar o candidato em casa. O episódio já levou à abertura de investigações pela Polícia Civil de São Paulo e pelo Ministério Público Federal.
Caseri relatou três encontros com viaturas semelhantes da Força Tática. No primeiro, afirmou que seu carro teria sido fechado e que policiais jogaram luz sobre o para-brisa. Em outro momento, uma viatura teria emparelhado com o veículo, sem sirene nem ordem de parada. Foi então que o motorista decidiu seguir para o Hotel Pullman, na Vila Mariana, justamente por saber que o local era monitorado por câmeras.
Segundo o depoimento, Caseri chegou ao hotel por volta das 21h58. Lá, entrou em contato com advogados da campanha de Haddad. Ele também disse ter visto policiais desembarcarem de uma viatura e afirmou ter ouvido a expressão “vaza”. O motorista declarou que considerou a abordagem fora do padrão, mas disse não ter intenção de acusar os agentes de crime ou abuso de poder. Também afirmou não ter vínculo político com Haddad.
A Polícia Civil, no entanto, apura uma divergência nos horários apresentados. De acordo com uma fonte citada pela reportagem, imagens analisadas pelos investigadores mostrariam o Fusion prata dirigido por Caseri deixando a região do hotel às 22h26, apesar de ele ter declarado que só saiu às 23h09. Quatro minutos depois, o carro teria sido registrado na Avenida 23 de Maio e, na sequência, na Radial Leste. O advogado do motorista não comentou a diferença.
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) se antecipou às conclusões das investigações e afirmou que, até agora, “não houve absolutamente nada”, chegando a classificar o episódio como possível “falsa comunicação”. Segundo ele, mais de 70 câmeras e os sistemas de GPS das viaturas foram analisados.
Haddad adotou posição diferente. Disse que acompanhou a situação apenas até chegar à própria casa e que, dali em diante, o relato é exclusivamente do motorista. O petista afirmou não ter motivos para desconfiar de Caseri e criticou a demora para que o depoimento de quem havia pedido “socorro do Estado” fosse colhido. Também disse que as imagens divulgadas até agora não permitem concluir se uma viatura ficou ou não estacionada perto do carro.
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