Flávio Bolsonaro entrega “tesouraço” a ex-ministro de Jair e nomes da Faria Lima

Flávio Bolsonaro entrega “tesouraço” a ex-ministro de Jair e nomes da Faria Lima
Flávio Bolsonaro - Flávio Bolsonaro - Foto: Daniel Ramalho/AFP

Flávio Bolsonaro (PL) reforçou nesta terça-feira (18) o núcleo responsável por detalhar seu plano de governo com cinco nomes ligados ao mercado financeiro, ao setor de energia e ao governo de Jair Bolsonaro. Entram na equipe Adolfo Sachsida, Lyvia Montezano, Carolina Ragazzi, Adriano Pires e Alexandre Chequer. O movimento amplia a ponte da candidatura com a Faria Lima e dá musculatura técnica à agenda de cortes e revisão de normas defendida pelo candidato.
O anúncio ocorre logo após a largada oficial da campanha presidencial. Sachsida, ex-ministro de Jair Bolsonaro, passa a integrar formalmente a coordenação do plano econômico ao lado de Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal. A equipe terá a missão de detalhar propostas que, até agora, foram apresentadas em linhas gerais e ampliar a interlocução com setores empresariais.
Flávio Bolsonaro reforça ponte com a Faria Lima
A aproximação com o mercado financeiro não começou agora. No fim de julho, a campanha já havia incorporado Luiz Felipe Trevisan, ex-diretor do Itaú BBA, para auxiliar na interlocução com a Faria Lima. A chegada de novos nomes consolida uma equipe econômica marcada por profissionais do mercado e integrantes da gestão de Jair Bolsonaro.
O nome de maior peso político é o de Adolfo Sachsida. O economista comandou o Ministério de Minas e Energia em 2022 e também foi secretário de Política Econômica do Ministério da Economia no governo Bolsonaro. Sachsida já colaborava informalmente com a campanha e agora passa a atuar diretamente na coordenação econômica.
Na área de energia e infraestrutura, entram Adriano Pires e Alexandre Chequer. Pires é economista, especialista no setor e fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). Em 2022, chegou a ser indicado pelo governo Bolsonaro para a presidência da Petrobras, mas desistiu antes de assumir.
Chequer, advogado especializado no setor energético, também passa a integrar o grupo responsável pelas propostas de infraestrutura. A presença dos dois reforça um dos setores em que a campanha pretende apresentar maior detalhamento ao empresariado.
Carolina Ragazzi, ex-vice-presidente do Goldman Sachs no Brasil, integra a equipe econômica. Lyvia Montezano, executiva com atuação em projetos sociais, foi escalada para trabalhar nas propostas voltadas às mulheres, dentro do eixo “Brasil Por Elas”.
“Tesouraço” e revogaço orientam plano de Flávio Bolsonaro
A chegada de Sachsida ocorre no momento em que Flávio Bolsonaro tenta dar conteúdo mais concreto ao plano de governo apresentado à Justiça Eleitoral. O documento prevê um amplo corte na estrutura federal e uma revisão de normas administrativas, tributárias, previdenciárias e trabalhistas.
“Nossa bandeira é um grande TESOURAÇO: um corte profundo e por todos os lados”.
O programa prevê o corte de no mínimo dez ministérios, redução de cargos comissionados e despesas administrativas, além de um “revogaço regulatório”. Flávio Bolsonaro também promete revisar normas infralegais e atos do governo Lula que sua campanha considera excessivamente burocráticos.
A proposta do “tesouraço” expõe o eixo que aproxima a nova equipe econômica da agenda aplicada durante o governo de Jair Bolsonaro: redução da estrutura estatal, desregulamentação e retomada de privatizações e concessões.
A composição escolhida por Flávio traduz essa orientação. Ex-integrantes do governo do pai e nomes ligados ao mercado financeiro passam a ocupar posições centrais na elaboração das propostas, enquanto a campanha tenta ampliar sua interlocução com empresários e investidores. O plano já estabelece a direção do corte, mas ainda não detalha quais ministérios seriam extintos nem quais normas seriam atingidas pelo prometido “revogaço”.

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