Se não fosse filho do presidente, caso de Lulinha já teria sido arquivado, afirma defesa

Se não fosse filho do presidente, caso de Lulinha já teria sido arquivado, afirma defesa
- Foto: Agência Brasil

A Procuradoria-Geral da República defendeu que os inquéritos envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, deixem o Supremo Tribunal Federal e sejam enviados à primeira instância. Para a defesa do empresário, a manifestação reforça uma tese sustentada há meses. O caso estaria recebendo tratamento excepcional por ele ser filho do presidente Lula (PT).
Essa avaliação já havia sido apresentada em entrevista à Fórum pela defesa de Lulinha, que vinha argumentando que o peso político do sobrenome estaria interferindo na forma como as investigações são conduzidas e repercutidas.
O advogado Marco Aurélio Carvalho voltou ao tema nesta quinta-feira (20), em entrevista à GloboNews.
“Se o Fábio Luís não fosse filho do presidente Lula, se fosse com qualquer uma das pessoas que estão nos acompanhando, esse inquérito teria sido arquivado. Ele carrega o peso de um sobrenome”, afirmou.
A PGR argumenta, segundo a defesa, que os investigados não têm foro por prerrogativa de função, o que afastaria a competência do Supremo para conduzir os casos. Parte das investigações está sob relatoria do ministro André Mendonça.
Carvalho disse ter recebido a posição da Procuradoria “com alegria”, mas afirmou que não foi surpreendido. A defesa já vinha pedindo que as apurações deixassem o STF.
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O que a PF apura
Lulinha aparece em três inquéritos derivados de informações obtidas na Operação Sem Desconto, investigação sobre fraudes em descontos aplicados a benefícios do INSS.
O empresário, porém, não é acusado de participar do esquema de descontos indevidos contra aposentados e pensionistas. Os inquéritos envolvendo seu nome apuram suspeitas de tráfico de influência e corrupção.
A defesa nega irregularidades e sustenta que não há uso de recursos públicos nem relação de Lulinha com o esquema investigado no INSS.
Marco Aurélio Carvalho também afirmou que o presidente não pretende interferir nas investigações para beneficiar o filho. Segundo ele, o fato de Lulinha pertencer à família presidencial não deveria significar tratamento mais brando, mas tampouco um rigor maior do que aquele aplicado a qualquer outro investigado.
Para o advogado, a dimensão assumida pelo caso também está ligada à disputa política em torno do presidente em pleno ano eleitoral.
 

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