Advogado de Lulinha cobra Flávio pelos R$ 61 milhões e expõe vazamentos seletivos: “Por que não aparecem os vídeos?”

Advogado de Lulinha cobra Flávio pelos R$ 61 milhões e expõe vazamentos seletivos: “Por que não aparecem os vídeos?”
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que defende Lulinha - Foto: Arquivo pessoal

O advogado Marco Aurélio Carvalho, que defende Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, questionou nesta quinta-feira (20), durante entrevista à GloboNews, a sucessão de vazamentos envolvendo investigações contra o filho do presidente Lula e cobrou a divulgação de outros materiais do caso Dark Horse, que envolve o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o suposto financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro.
Ao ser questionado pela jornalista Julia Duailibi sobre o que ainda poderia surgir das investigações envolvendo seu cliente, Carvalho deslocou o foco para o caso de Flávio e afirmou que há mais material ainda não conhecido publicamente.
“Nossa, tem tanta coisa para aparecer, Júlia. Você já deve ter ouvido que não tem só áudio, tem vídeo.”
Em seguida, o advogado fez referência direta aos R$ 61 milhões repassados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para supostamente financiar Dark Horse e à promessa de Flávio Bolsonaro de explicar a destinação dos recursos.
“Nós temos 61 milhões de motivos para pedir explicação.”
“Por que não apareceram os vídeos?”
O suposto financiamento de Dark Horse veio a público em maio, quando o Intercept Brasil revelou mensagens e um áudio que mostravam Flávio Bolsonaro negociando diretamente com Vorcaro recursos para a produção da cinebiografia de Jair Bolsonaro.
Documentos e mensagens apontaram que Vorcaro havia se comprometido a aportar US$ 24 milhões no projeto — cerca de R$ 134 milhões pela cotação da época — e que ao menos US$ 10,6 milhões, aproximadamente R$ 61 milhões, foram efetivamente transferidos para financiar a produção.
Na entrevista à GloboNews, Carvalho lembrou que Flávio prometeu prestar esclarecimentos sobre o dinheiro e voltou a questionar por que outros elementos relacionados à investigação ainda não se tornaram públicos.
“Eu quero saber o que não apareceu, o resto que tem no Dark Horse. Por que não apareceram os vídeos que tem?”
A cobrança ocorre em meio ao contraste entre a divulgação frequente de trechos de investigações sigilosas sobre Lulinha e a ausência, até agora, de novos materiais públicos da apuração sobre o financiamento de Dark Horse.
O caso envolvendo os repasses de Vorcaro para o filme é investigado pela Polícia Federal. Em julho, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura do inquérito depois de pedido da PF e parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Assista ao trecho da entrevista:
https://x.com/EleicaoBr2026/status/2090595446645309586
Promessa vencida
Em 19 de maio, após a repercussão dos áudios com Vorcaro, Flávio Bolsonaro anunciou que havia solicitado à produtora e ao fundo ligados ao filme uma prestação de contas sobre a utilização dos recursos.
“Pedi à produtora e ao fundo para que se organizassem para fazer uma prestação de contas para todo mundo, de forma transparente, sobre as despesas com o filme em até 30 dias”, declarou na ocasião.
O prazo terminou sem que a prestação de contas detalhada fosse apresentada publicamente. Em julho, mais de três semanas depois do fim do período estipulado pelo próprio senador, nem a produtora nem Flávio haviam divulgado o relatório.
Nesta quinta-feira (20), ao voltar a ser questionado sobre Dark Horse, Flávio afirmou que o caso era “página virada” e disse que as prestações de contas haviam sido feitas. A ausência de esclarecimentos públicos sobre pontos do financiamento, no entanto, continua sendo questionada.
Defesa de Lulinha reclama de tratamento desigual
A fala de Carvalho na GloboNews veio no mesmo dia em que a PGR defendeu a saída de um dos inquéritos envolvendo Lulinha do STF e seu envio à primeira instância.
Segundo a Procuradoria, não há indícios de participação de autoridade com foro privilegiado que justifiquem a manutenção da investigação no Supremo. A PGR também afirmou, em manifestação sobre a apuração relacionada à tentativa de venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde, que não foi identificado negócio concluído com o poder público.
Carvalho sustentou na GloboNews que Lulinha estaria sendo submetido a um rigor maior justamente por ser filho do presidente.
“Se o Fábio Luís não fosse filho do presidente Lula, se fosse com qualquer uma das pessoas que estão nos acompanhando, esse inquérito teria sido arquivado. Ele carrega o peso de um sobrenome.”
A defesa afirma ainda que, no inquérito que a PGR quer enviar à primeira instância, não há verba pública nem relação direta ou indireta com as fraudes investigadas pela Operação Sem Desconto. Lulinha não é acusado de participar do esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS.
O advogado também vem criticando o acesso da imprensa a fragmentos de investigações que tramitam sob sigilo. A defesa chegou a avaliar pedir o levantamento integral do sigilo dos inquéritos para que o conjunto do material possa ser conhecido e contestado publicamente.
Ao tratar dessa possibilidade, Carvalho já havia lançado a mesma cobrança à defesa de Flávio Bolsonaro: que também fossem tornados públicos os dados relacionados ao candidato do PL, a Daniel Vorcaro e ao Banco Master.

Ver mais

💬 Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!