Tarcísio inelegível? Ação que mira comício em templo da Assembleia de Deus chega ao MP Eleitoral

Tarcísio inelegível? Ação que mira comício em templo da Assembleia de Deus chega ao MP Eleitoral
Tarcísio durante comício em templo da Assembleia de Deus - Foto: Reprodução/Instagram André do Prado

A Associação Movimento Brasil Laico protocolou, nesta quinta-feira (20), uma Representação Eleitoral e uma Notícia de Fato na Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo (PRE-SP) pedindo a abertura de investigação contra o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), os candidatos ao Senado Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), além da Igreja Evangélica Assembleia de Deus Ministério do Belém e seus dirigentes.
A entidade aponta que um evento realizado em 17 de agosto, primeiro dia útil da campanha eleitoral de 2026, teria utilizado um templo religioso como espaço de promoção política. Segundo a representação, o encontro reuniu cerca de 2.500 lideranças e obreiros da igreja na Zona Leste da capital paulista.
Na ação, a associação pede que a Justiça Eleitoral investigue possíveis práticas de propaganda irregular em bem de uso comum, doação estimável em dinheiro de fonte vedada e abuso de poder político e econômico. Entre as consequências solicitadas está a possibilidade de declaração de inelegibilidade dos envolvidos por oito anos, conforme prevê o artigo 22, inciso XIV, da Lei Complementar 64/90.
A representação afirma que Tarcísio teria utilizado o púlpito da igreja para discursar, com linguagem religiosa associada à disputa eleitoral, além de realizar um pedido indireto de votos para sua chapa. A entidade também aponta que Derrite e André do Prado teriam sido beneficiados pela exposição em um “palanque religioso”.
Entidade aponta uso eleitoral de templo
Na representação encaminhada à PRE-SP, o Movimento Brasil Laico argumenta que templos religiosos são considerados bens de uso comum para fins eleitorais e que a legislação impede a realização de atos de campanha nesses espaços.
A entidade cita o artigo 37, parágrafo 4º, da Lei 9.504/97, e sustenta que a proibição alcançaria discursos políticos realizados em templos mesmo quando não há pedido explícito de voto.
Segundo o documento, o evento ocorreu já durante o período oficial de propaganda eleitoral, iniciado em 16 de agosto, o que afastaria a possibilidade de enquadramento como atividade de pré-campanha.
A associação também argumenta que a cessão do espaço, da estrutura e do acesso a milhares de lideranças religiosas poderia configurar uma doação estimável em dinheiro de fonte vedada, já que igrejas não podem financiar campanhas eleitorais.
Outro ponto levantado na ação é a acusação de abuso de poder político e econômico, sob a alegação de que teria ocorrido uso da influência religiosa, com leitura de versículos, orações e referências associadas à vitória eleitoral.
“Não estamos questionando a fé ou a liberdade de culto”, diz presidente da associação
O presidente do Movimento Brasil Laico, Leandro Patrício, afirmou à Fórum que a representação não tem como objetivo questionar manifestações religiosas, mas impedir o uso político de espaços protegidos pela legislação.

“O uso de templos religiosos como palanque eleitoral no meio da campanha não é mero detalhe, mas uma grave violação da legislação eleitoral e do princípio constitucional da laicidade. Não estamos questionando a fé ou a liberdade de culto de ninguém, mas sim a instrumentalização de um espaço de uso comum e imune a impostos para beneficiar candidaturas e desequilibrar a disputa democrática”, declarou.

Para o dirigente, a responsabilização deve alcançar tanto os candidatos quanto os responsáveis pela abertura do espaço religioso para a atividade eleitoral.
“É fundamental que a Justiça Eleitoral e as autoridades fazendárias responsabilizem rigorosamente não apenas os candidatos beneficiados, mas também os líderes e as entidades que franqueiam a fé e a estrutura dos templos para fins de propaganda eleitoral”, afirmou.
Pedido inclui investigação sobre igreja e dirigentes religiosos
Além de Tarcísio, Derrite e André do Prado, a representação cita a Igreja Evangélica Assembleia de Deus Ministério do Belém e seus dirigentes como possíveis responsáveis pela realização do ato.
A associação pede que sejam apuradas as responsabilidades dos organizadores e dos beneficiários do evento, considerando que, segundo a entidade, a estrutura religiosa teria sido utilizada para favorecer determinadas candidaturas.
A ação ainda solicita a análise de possíveis impactos tributários relacionados à imunidade da instituição religiosa, diante da alegação de que o espaço protegido por benefícios fiscais teria sido utilizado para finalidade eleitoral.
A representação apresentada pelo Movimento Brasil Laico ainda deverá ser analisada pelos órgãos eleitorais competentes.

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