Durante debate no UOL nesta sexta-feira (21), o jurista Pedro Serrano desmontou o discurso lavajatista do jornalista Josias de Souza ao criticar o uso de vazamentos seletivos como base para acusações criminais. Segundo Serrano, sem acesso ao conjunto das provas, não é possível afirmar a existência de crime apenas a partir de informações divulgadas pela imprensa.
Na conversa, Josias levantou questionamentos sobre mensagens trocadas entre Lulinha e uma lobista, além de documentos e movimentações que, segundo ele, poderiam indicar a existência de indícios de irregularidades.
Serrano, porém, ponderou que os elementos apresentados publicamente não demonstram, até aquele momento, a materialidade de um delito.
“Não há materialidade demonstrada ainda aí. Em especial, quando você fala envolvimento do presidente da República, todos os atos que você falou — ‘vou falar com fulano’, ‘ah, legal, vai lá’ — isso aí não é nada”, afirmou.
Para o jurista, seria necessário demonstrar uma relação objetiva entre eventual pagamento e uma tentativa de influência sobre agentes públicos.
“Precisaria demonstrar que ela pediu um dinheiro com a função objetiva de influenciar algum agente público com qual ela tivesse relação. Você tem indícios que estão a ser investigados, você ainda não tem essa materialidade demonstrada”, disse.
Serrano ressaltou ainda que sua análise era feita com base nas informações disponíveis na imprensa, já que não teve acesso ao conteúdo integral do inquérito.
“Óbvio que eu estou falando com base em notícia de jornal, eu não conheço o inquérito, não conheço os detalhes.”
“O vazamento é sempre seletivo”
Em outro momento do debate, Serrano criticou a forma como investigações passam a ser discutidas publicamente a partir de informações parciais.
Segundo ele, o problema é que a opinião pública acaba formando conclusões sem conhecer todo o conjunto documental de uma investigação.
“Você traz uns fatos. São só esses fatos? São só isso? Não tem fato, por exemplo, que ajuda a defesa?”, questionou.
Para o jurista, informações vazadas podem carregar interesses específicos de quem as divulga.
“O vazamento é sempre ruim. Sabe quem sai perdendo mesmo no final? O sistema de Justiça. Porque daqui a pouco essa gente é inocentada, porque não tem prova nenhuma ou porque a versão que foi para a mídia se desmonta.”
Serrano afirmou que o problema não estaria relacionado ao partido político do investigado, mas ao próprio mecanismo de divulgação seletiva de informações sigilosas.
“Esses vazamentos são sempre, 100% seletivos. Não interessa se o investigado é do PT, é bolsonarista, é do PMDB, é banqueiro, não interessa. Eles são sempre seletivos e sempre levam a conclusões equivocadas porque são seletivos.”
Ao final, o jurista criticou a transformação de informações preliminares em acusações definitivas.
“Nada que é concludente, falar que alguém cometeu um crime com base num vazamento criminoso de fatos seletivos é uma impropriedade.”
Assista ao vídeo:
Para quem perdeu o esculacho do Pedro Serrano no Josias lá no UOL agorinha, segue: pic.twitter.com/GtNcnAEbNV
— Chris Moraes Lula 13 (@christianamrs) August 21, 2026
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