Flávio Bolsonaro rasga fantasia de moderado e defende execução de suspeitos

Flávio Bolsonaro rasga fantasia de moderado e defende execução de suspeitos
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro - Opposition presidential candidate Flavio Bolsonaro holds a campaign in...

Na pré-campanha presidencial, Flávio Bolsonaro (PL) tentou construir uma imagem de “Bolsonaro moderado”. Chegou a brincar que era o “Bolsonaro que tinha tomado vacina” e, em suas redes sociais, chegou a fazer acenos à comunidade LGBT.
Porém, com o avanço da campanha, Flávio Bolsonaro tirou a fantasia de moderado e voltou ao lugar que sempre ocupou: o do extremismo.
Durante evento neste sábado (22), no Maracanãzinho (RJ), o candidato do PL à Presidência da República defendeu a execução sumária de suspeitos, ou seja, a aplicação da pena capital sem o devido processo legal, algo não previsto na Constituição brasileira.
“O bandido vai ser tirado de circulação, em pé ou deitado, porque quem tem que andar sem medo na rua somos nós”, disparou Flávio Bolsonaro.
As declarações de Flávio Bolsonaro ocorreram dois dias após o assassinato do ciclista Cláudio Landeiro, que foi espancado até a morte após ser apontado por “comportamento suspeito”.
https://x.com/NewsLiberdade/status/2091219214426145125
Segurança é preso após ciclista ser confundido com ladrão e linchado até a morte em Copacabana
Um segurança foi preso na última quinta-feira (20) por suspeita de participação na morte de Cláudio Rafael Landeiro Moreira, de 37 anos, espancado em Copacabana após ser abordado por causa de uma bicicleta que pertencia à irmã.
Jorge Luiz Ricardo Dias, de 56 anos, apresentou-se à polícia e teve cumprido contra ele um mandado de prisão temporária. Ao chegar à delegacia, foi confrontado por uma das irmãs da vítima.
“Gostou de matar meu irmão?”, repetiu ela. O segurança não respondeu.
Segundo o delegado Ângelo Lages, Jorge não desferiu golpes, mas teve participação acessória no crime. A investigação aponta que ele segurou a bicicleta de Cláudio e, em outro momento, o porrete usado nas agressões. Em depoimento, afirmou que tentou impedir o ataque.
Como começou o linchamento
Cláudio saiu de casa, em Botafogo, na noite de 11 de agosto com a bicicleta da irmã. Na Rua Barata Ribeiro, foi abordado por um segurança identificado como Davi, que suspeitou que o veículo fosse roubado.
Segundo a família, Cláudio tinha transtornos psicológicos e dificuldade para se comunicar. Ao ser perguntado se a bicicleta era dele, respondeu apenas que não, sem conseguir explicar que ela pertencia à irmã.
A abordagem terminou em violência. Depois de uma primeira agressão, Cláudio seguiu até a Rua Felipe de Oliveira e sentou-se na escadaria de um prédio.
Câmeras de segurança registraram a sequência. Dois homens com mochilas de entrega se aproximaram e, pouco depois, Davi apareceu com um porrete.
Cláudio foi cercado e recebeu cerca de 30 pauladas, além de socos e chutes. As imagens mostram que ele tentou escapar, mas foi segurado, sendo agredido por cerca de 7 minutos.  Ele não reagiu às agressões.
Já desacordado, teve os bolsos vasculhados. Um dos envolvidos ainda fotografou a cena antes de o grupo deixar o local.
Cláudio foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros e levado ao Hospital Municipal Miguel Couto, mas morreu horas depois. A causa da morte foi traumatismo craniano e hemorragia interna.
A Polícia Civil identificou quatro suspeitos. Dois são seguranças. Os outros dois seriam entregadores e ainda são procurados.
O delegado classificou o caso como homicídio triplamente qualificado, cometido com crueldade, por motivo fútil e sem possibilidade de defesa da vítima.

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