Nikolas Ferreira entra na mira da PF após pedido de investigação sobre suposto laudo falso

Nikolas Ferreira entra na mira da PF após pedido de investigação sobre suposto laudo falso
O deputado Nikolas Ferreira - Foto: Marina Uezima / Brazil Photo Press via AFP

O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) apresentou, nesta sexta-feira (4), uma notícia de fato à Polícia Federal (PF) pedindo a abertura de investigação sobre um suposto relatório falso atribuído à corporação e divulgado pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) para tentar afastar suspeitas sobre sua relação com o ex-controlador do Banco Master Daniel Vorcaro, que está preso.
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A representação solicita que a PF apure a origem do documento, identifique os responsáveis pela criação e circulação do material e esclareça se Nikolas Ferreira tinha conhecimento de uma eventual falsidade quando divulgou o arquivo em seus perfis oficiais nas redes sociais.
O caso envolve uma imagem apresentada como uma página de um relatório da Polícia Federal que supostamente teria concluído não haver indícios de crime nas conversas entre Nikolas e Vorcaro.
A análise do material, porém, apontou inconsistências entre o documento divulgado e o relatório oficial da corporação. A notícia de fato apresentada por Rogério Correia afirma que a imagem possui uma “atribuição documental objetivamente incompatível” com a Informação de Polícia Judiciária de Análise (IPJ-A) nº 3298613/2026, produzida pela Polícia Federal.
Laudo falso
Na ação encaminhada ao diretor-geral da Polícia Federal, Rogério Correia afirma que o documento divulgado nas redes sociais se apresentava como a página 156 de um relatório de 218 páginas da corporação, vinculado à Operação Compliance Zero.
Segundo a representação, porém, a página 156 do documento oficial teria conteúdo completamente diferente daquele apresentado na imagem compartilhada por Nikolas.
“O cotejo demonstra que a página 156 do documento autêntico possui conteúdo inteiramente diverso, referente a pagamentos vinculados a escritório de advocacia, e que a seção 7 do relatório autêntico somente se inicia na página 216”, afirma a notícia de fato.
O material falso apresentava uma suposta seção intitulada “7.3 – Conversas com o Deputado Federal Nikolas Ferreira (PL/MG)”, com transcrições de mensagens e uma conclusão indicando que não haveria elementos suficientes para abertura de investigação contra o parlamentar.
A representação também aponta divergências cronológicas, textuais e formais no documento divulgado.
Pedido inclui perícia no arquivo e preservação de dados de redes sociais
Rogério Correia pediu que a Polícia Federal realize perícia técnica no arquivo divulgado e adote medidas urgentes para preservar provas digitais.
Entre os pedidos apresentados estão a preservação de registros junto às plataformas X e Instagram, incluindo informações sobre publicações específicas relacionadas ao documento.
A ação solicita a manutenção dos dados de postagens realizadas por perfis que divulgaram o material, incluindo publicações atribuídas ao perfil oficial de Nikolas Ferreira e a outros perfis que compartilharam o arquivo.
A representação também pede a identificação dos responsáveis pela criação e circulação do documento, além da realização de perícia para análise de metadados, propriedades de geração, fontes utilizadas, camadas e outros elementos técnicos que possam indicar como o arquivo foi produzido.
A notícia de fato apresentada por Rogério Correia afirma que Nikolas Ferreira aparece como integrante da cadeia de divulgação do material, mas ressalta que isso não significa, automaticamente, que o deputado tenha produzido o documento ou soubesse previamente que ele era falso.
“Esse fato, todavia, não demonstra que o parlamentar tenha criado ou encomendado a peça, nem que conhecesse a sua inautenticidade no momento da divulgação, o que deverá ser apurado no curso da investigação”, diz a representação.
A apuração solicitada à PF deverá justamente esclarecer quem teve acesso ao arquivo, quando o documento começou a circular e quais pessoas participaram da sua produção ou disseminação.
Documento pode envolver falsificação e uso de documento falso, aponta representação
A ação apresentada pelo deputado petista afirma que, caso seja confirmada a falsidade do documento, poderão ser analisadas possíveis responsabilidades criminais.
A representação cita, em tese, os crimes de falsificação de documento público e uso de documento falso.
Segundo o texto encaminhado à PF, “confirmada a inautenticidade do documento”, a conduta de quem produziu o material poderia se enquadrar no artigo 297 do Código Penal, que trata de falsificação de documento público. Já a divulgação consciente de um documento falso poderia configurar uso de documento falso, previsto no artigo 304 do Código Penal.
A peça destaca, porém, que a definição sobre eventual responsabilidade depende da investigação e da comprovação de elementos como autoria e conhecimento da falsidade.
Suposto laudo apareceu após divulgação de conversas com Daniel Vorcaro
O documento começou a circular após a divulgação de mensagens e áudios envolvendo Nikolas Ferreira e Daniel Vorcaro.
O suposto relatório atribuído à Polícia Federal apresentava uma conclusão favorável ao deputado, afirmando que não teriam sido identificados elementos suficientes para abertura de investigação específica contra ele.
A Fórum mostrou anteriormente que a Polícia Federal não reconheceu o documento como produzido pela corporação e que análises técnicas apontaram sinais de manipulação digital e inconsistências em relação aos documentos oficiais.
Entre os problemas identificados estavam divergências de datas, referências inexistentes e incompatibilidades entre a suposta página divulgada e o conteúdo real do relatório da PF.
Rogério Correia pede envio à PGR e à Procuradoria Eleitoral
Além da abertura de inquérito policial, a representação solicita que cópias do procedimento sejam encaminhadas à Procuradoria-Geral da República (PGR), em razão do foro por prerrogativa de função de Nikolas Ferreira, e à Procuradoria-Geral Eleitoral.
O objetivo é avaliar possíveis responsabilidades criminal e eleitoral relacionadas à divulgação do material durante o período eleitoral.
A ação também pede que a Polícia Federal avalie a conveniência de um esclarecimento público institucional sobre a autenticidade do documento, diante do alcance da divulgação e do risco de circulação de uma informação falsa atribuída a um órgão de Estado.
Nikolas afirma que apenas compartilhou o documento
Nikolas Ferreira afirmou que não produziu o material e que apenas compartilhou um documento que recebeu, sem saber que poderia se tratar de um arquivo falso.
A investigação solicitada por Rogério Correia deverá esclarecer justamente esse ponto: se o deputado apenas reproduziu um conteúdo fraudulento sem conhecimento da falsidade ou se houve participação na criação, obtenção ou divulgação consciente do material.
Até o momento, não há comprovação pública de que Nikolas Ferreira tenha produzido o documento. O pedido apresentado à Polícia Federal busca justamente apurar a origem do arquivo e eventuais responsabilidades.

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