Mendonça retira tornozeleira de ex-ministro de Bolsonaro acusado de receber R$ 100 mil em fraude do INSS

Mendonça retira tornozeleira de ex-ministro de Bolsonaro acusado de receber R$ 100 mil em fraude do INSS
André Mendonça e Jair Bolsonaro - Jair Bolsonaro e André Mendonça (Allan Santos/Presidência da República)

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, revogou nesta terça-feira (8) o uso de tornozeleira eletrônica por Ahmed Mohamad Oliveira Andrade, ex-ministro do Trabalho e Previdência do governo Jair Bolsonaro e ex-presidente do INSS. A medida atende a uma recomendação da Procuradoria-Geral da República.
A retirada do equipamento não encerra as medidas cautelares. Mendonça determinou que Ahmed não deixe o país, não mantenha contato com outros investigados e entregue o passaporte nas próximas 24 horas.
A PGR avaliou que o investigado não apresentou comportamento capaz de prejudicar o andamento das apurações e recomendou a substituição do monitoramento eletrônico por medidas menos restritivas.
Ahmed foi preso em novembro de 2025, no curso das investigações sobre descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS. A Polícia Federal afirma que ele teve participação considerada “estratégica” no funcionamento e na blindagem do esquema.
Investigação aponta pagamento de R$ 100 mil
Segundo os investigadores, Ahmed era identificado pelos apelidos “Yasser” e “São Paulo”. Mensagens encontradas no celular dele, de acordo com a investigação, registram agradecimentos por pagamentos classificados como “valores indevidos”.
Uma planilha de fevereiro de 2023 contém ainda uma anotação de repasse de R$ 100 mil associada ao ex-presidente do INSS.
A PF aponta “fortes indícios” de que as fraudes estavam em pleno funcionamento entre março e dezembro de 2022, período em que Ahmed ocupou o Ministério do Trabalho e Previdência no governo Bolsonaro.
O ex-ministro também mudou seu nome para Ahmed Mohmad Oliveira Andrade.
Ex-ministro negou participação
Durante depoimento à CPMI do INSS, em setembro de 2025, Ahmed negou envolvimento nas irregularidades.
“Se houve abusos e irregularidades, esses foram praticados por entidades externas, que devem ser investigadas e punidas com o devido rigor”, afirmou na ocasião.
Ele também defendeu a responsabilização de servidores eventualmente envolvidos, mas disse que não seria possível generalizar as suspeitas ou “pré-criminalizar” pessoas.
A decisão desta terça-feira faz parte de uma revisão das medidas cautelares impostas aos investigados no caso. Mendonça também decidiu, nesta terça, substituir a prisão preventiva de outros investigados por medidas menos restritivas. A mudança ocorre após o avanço das investigações da Operação Sem Desconto.

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