Quem é Zé Trovão, aliado de Flávio Bolsonaro que quer suspender aumento do Bolsa Família

Quem é Zé Trovão, aliado de Flávio Bolsonaro que quer suspender aumento do Bolsa Família
- Agência Câmara/Reprodução

O deputado Zé Trovão (PL-SC) voltou ao centro do noticiário nesta quinta-feira (17) ao pedir ao TSE a suspensão do reajuste de 15,04% do Bolsa Família anunciado por Lula. A ação caiu, por sorteio, nas mãos de André Mendonça. O parlamentar alega abuso de poder político e tenta impedir que o novo piso de R$ 691 entre em vigor durante o processo eleitoral.
Por trás do apelido está Marcos Antônio Pereira Gomes, nascido em São Paulo em 1988. Antes da política, trabalhou como vigia, corretor de imóveis e caminhoneiro. Foi nas estradas e nas redes sociais que construiu a persona de Zé Trovão, aproximando-se do bolsonarismo e de pautas como voto impresso e ataques ao Supremo.
Zé Trovão participou da articulação dos atos de 7 de Setembro de 2021, marcados por ameaças ao STF e pedidos de ruptura institucional.  Na ocasião, o deputado teve a prisão decretada por Alexandre de Moraes, deixou o país e permaneceu foragido até se entregar à Polícia Federal. Mais tarde, cumpriu prisão domiciliar e usou tornozeleira eletrônica.
Em 2024, Zé Trovão foi indiciado pela PF por incitação ao crime, associação criminosa e tentativa de impedir o livre exercício dos Poderes.
Foto com cocaína virou escândalo
Outro episódio ganhou repercussão logo depois de sua eleição para a Câmara. Em dezembro de 2022, circulou uma foto em que Zé Trovão aparece diante de uma mesa com cocaína e maconha. Ele confirmou a autenticidade da imagem e disse que ela havia sido feita em 2017 ou 2018.
O próprio parlamentar afirmou ter enfrentado dependência química naquele período e declarou ter superado o vício. “Venci esse vício”, disse ao se pronunciar sobre a fotografia. O material enviado para esta reportagem também registra que ele relatou uso de maconha e cocaína entre 2017 e 2018.
Zé Trovão foi eleito deputado em 2022 com 71.140 votos e chegou à cerimônia de diplomação usando tornozeleira eletrônica.
A trajetória parlamentar continuou cercada de controvérsias. Em 2023, a Justiça concedeu medida protetiva à então ex-noiva Ana Rosa Schuster depois de ela relatar agressão, ameaça e violência psicológica. O deputado contestou as acusações.
Em agosto de 2025, durante discurso na Câmara, Zé Trovão afirmou que iria “acabar com a vida” de Alexandre de Moraes. Minutos depois, voltou ao microfone para se retratar e disse que pretendia criticar as decisões do ministro, não ameaçá-lo fisicamente.
Em maio deste ano, o Conselho de Ética aprovou suspensão de 60 dias de seu mandato pela participação na ocupação da Mesa da Câmara em protesto contra a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro. A punição ainda depende de confirmação pelo plenário.

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