Lula na ONU nesta semana para fazer o último discurso de seu atual mandato na abertura da Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova York. O presidente brasileiro viaja aos Estados Unidos neste domingo (20) e terá, antes da fala no plenário, um encontro com o prefeito da cidade, Zohran Mamdani, na segunda-feira (21).
A reunião foi solicitada por Mamdani e está prevista para ocorrer na residência do representante permanente do Brasil junto à ONU, o embaixador Sérgio Danese. Será o primeiro encontro entre os dois e acontece um dia antes do início do Debate Geral da 81ª sessão da Assembleia-Geral.
Na terça-feira (22), Lula fará o primeiro pronunciamento entre os representantes dos países. O Brasil tradicionalmente abre o Debate Geral e, na sequência, fala o representante dos Estados Unidos, país que sedia a organização.
Segundo a Organização das Nações Unidas, a edição de 2026 terá como tema “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”. O Debate Geral será realizado de 22 a 26 de setembro e retomado no dia 28.
Lula na ONU fará último discurso do atual mandato
A participação de terça será a última de Lula na Assembleia-Geral durante o mandato iniciado em janeiro de 2023, que termina no começo de 2027. O presidente disputa a reeleição em outubro, portanto a passagem por Nova York não significa necessariamente sua despedida definitiva da tribuna da ONU.
A expectativa é que soberania nacional, defesa do multilateralismo e reforma das instituições internacionais estejam entre os principais pontos do pronunciamento. Lula também deve abordar a não interferência estrangeira em assuntos internos de outros países, tema que ganhou espaço em suas falas nos últimos meses.
O assunto aparece em meio às tensões entre Brasília e Washington e à proximidade das eleições brasileiras. Lula já afirmou publicamente que pretende defender que outros governos não interfiram no processo eleitoral do Brasil.
A tendência, entretanto, é que o pronunciamento não seja estruturado como uma resposta exclusiva ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A defesa da soberania deverá ser apresentada dentro de uma discussão mais ampla sobre relações internacionais e respeito às decisões internas dos países.
O multilateralismo também deve ocupar espaço. Lula defende há anos mudanças na estrutura das Nações Unidas, principalmente no Conselho de Segurança, cuja composição permanente permanece praticamente vinculada à ordem internacional criada após a Segunda Guerra Mundial.
O governo brasileiro sustenta a ampliação do colegiado e maior representação da América Latina, da África e de outras regiões. A reforma da governança internacional esteve presente em outros discursos de Lula na ONU e em reuniões de grupos como G20 e Brics.
Conflitos internacionais, combate à fome e cooperação entre os países também estão entre os assuntos esperados. O presidente deverá ainda abordar segurança pública e enfrentamento ao crime organizado, tema que entrou na relação entre Brasil e Estados Unidos após divergências sobre a forma de classificar organizações criminosas brasileiras.
Encontro com Zohran Mamdani
Antes de subir à tribuna da ONU, Lula terá uma agenda própria com Zohran Mamdani. O encontro está marcado para a manhã de segunda-feira e partiu de um pedido do prefeito de Nova York.
Mamdani assumiu a prefeitura em janeiro deste ano e desde então protagonizou divergências com o governo Trump, principalmente na política migratória. A cidade de Nova York está entre as chamadas “cidades-santuário” dos Estados Unidos, que limitam a cooperação das autoridades locais com determinadas ações federais de imigração.
Lula e Mamdani ainda não se encontraram pessoalmente. No ano passado, quando o atual prefeito estava envolvido na disputa municipal, houve tentativa de encaixar uma conversa durante a passagem do presidente brasileiro pela Assembleia-Geral, mas as agendas não coincidiram.
A reunião de segunda será um dos compromissos internacionais de maior projeção de Mamdani desde que assumiu a prefeitura. O prefeito também deverá receber outras autoridades estrangeiras que estarão em Nova York durante a semana da ONU.
Antes da conversa com Mamdani, Lula deve conceder entrevista à jornalista Christiane Amanpour, da CNN. A agenda presidencial nos Estados Unidos será concentrada em poucos dias.
Brasil e Estados Unidos falam no mesmo dia
O formato tradicional da abertura coloca Brasil e Estados Unidos em sequência no plenário. A ONU confirma que o Debate Geral começa na terça-feira (22), com representantes dos Estados-membros apresentando suas prioridades internacionais.
Neste ano, Lula e Trump estarão, portanto, na programação do primeiro dia. Até este domingo, não havia anúncio oficial de uma reunião bilateral entre os dois durante a passagem do brasileiro por Nova York.
A presença de Lula ocorre a duas semanas do primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras. O Planalto e o Itamaraty tratam a viagem como agenda de Estado, enquanto o presidente concilia os compromissos internacionais com a campanha pela reeleição.
Depois do encontro com Mamdani na segunda e do discurso na Assembleia-Geral na terça, a previsão é de que Lula encerre sua passagem por Nova York.
Lula vai à ONU para último discurso do mandato e terá encontro com prefeito de Nova York
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