A figura de Renan Santos é uma das mais polêmicas nas eleições à presidência deste ano. Candidato do Partido Missão, partido do Movimento Brasil Livre (MBL), Renan Santos é conhecido por discursos autoritários, crítica a programas sociais e defesa do Estado mínimo.
Renan Santos se lançou à cena política a partir de 2013, principalmente em 2014, após as Jornadas de Junho, quando o MBL surgiu protagonizando fortes ataques à presidente Dilma Rousseff. Com discursos preconceituosos e de ódio contra minorias sociais, o movimento foi ganhando espaço na direita e na extrema direita.
Publicamente, o candidato Renan Santos se declara como de direita, assim como o Partido Missão. No entanto, para intelectuais, cientistas e movimentos sociais, Renan Santos está alinhado à extrema direita devido a seus discursos e suas posturas políticas que se encaixam no espectro autoritarista e ultraconservador.
De direita ou extrema direita?
Em entrevista ao podcast Inteligência Ltda., realizada em maio deste ano, o próprio Renan afirmou que o Partido Missão é de direita pela defesa “da vida, da lei e ordem, da propriedade e da iniciativa privada”. Já em entrevista à BBC News Brasil, em abril, o candidato afirmou estar “à direita de Flávio Bolsonaro”.
Em relação às suas pautas, Renan Santos defende o Estado mínimo, o que consiste na redução de programas sociais e iniciativas do poder público voltadas à população, principalmente à população mais pobre. Em entrevistas, já se declarou contra cotas raciais, por exemplo, por defender o discurso da meritocracia e negar as diferenças sociais e raciais entre pessoas negras e brancas.
Além disso, Renan Santos também tem uma visão autoritária da Segurança Pública, focada em operações letais e violentas. Em uma entrevista, o candidato defendeu um “banho de sangue” contra facções criminosas. A postura se enquadra no campo da direita e da extrema direita, uma vez que o campo progressista e de esquerda defende operações policiais integradas a ações de retomada dos territórios e iniciativas sociais porque entende que somente a violência nas favelas não resulta em maior segurança pública.
Em novembro de 2025, Renan chegou a declarar que defende uma discussão sobre a implementação de pena de morte e pisão perpétua para crimes não militares.
O candidato do Missão também já protagonizou ataques a minorias sociais, como mulheres, comunidades indígenas e pessoas LGTBQIAPN+. Tanto Renan quanto o partido chegaram a ser alvos de uma ação civil pública do Ministério Público Federal, em agosto deste ano, pelo candidato ter chamado indígenas de “vagabundos”, “picaretas” e “malandros”.
Em relação às mulheres, Renan Santos já chegou a declarar que, se não conseguisse entrar em um bar, “estupraria” uma amiga. A declaração, gravada em vídeo, repercutiu nas redes e o candidato afirmou que se tratava de uma “brincadeira”.
Já uma reportagem do The Intercept de 2022, revelou, com base em relatos de uma integrante do próprio MBL, a cultura misógina e machista dentro do MBL. Segundo a integrante, o movimento promove o silenciamento de mulheres e só tem figuras femininas para cumprir uma cartilha.
Em outra reportagem do portal, de 2024, também foi revelado que integrantes judeus do MBL deixaram o movimento porque perceberam tolerância ao nazismo e relação de membros do movimento com ideias racistas e eugenistas.
Relação com o nazismo
Em abril de 2025, veio à tona a ação de um influenciador neonazista para aproximar o partido Missão e o MBL da extrema direita norte-americana. Conhecido como “The Phallic Man”, o influenciador fez elogios públicos a Renan Santos. Em setembro do mesmo ano, ele chegou a publicar um artigo elogiando o líder do Missão e afirmando que o partido está alinhado a um princípio central do nazismo. Ele acrescenta que essa característica despertou interesse da extrema direita dos EUA pelo partido.
Após a publicação do artigo, Renan Santos viajou aos EUA e disse que “os gringos piraram” no partido Missão. “As pessoas estão admiradas, e posso falar que conhecem nosso trabalho. Como conhecem? Houve, coisa de três semanas, um artigo do The Phallic Man na J’Accuse, que é lida pela novíssima direita norte-americana e inglesa. Esse texto foi muito lido nos Estados Unidos. Os gringos piraram”, afirmou.
Renan Santos é de direita ou de esquerda?
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