Um contrato para atuar em 20 processos, honorários vinculados ao êxito de causas bilionárias e uma atuação processual concentrada em apenas uma delas.
É o que mostram documentos relacionados ao acordo firmado entre o Banco Master e o escritório Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos (QVQR), do qual faz parte a advogada Camilla Ramos, mulher do desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).
O contrato previa que o escritório receberia 5% líquidos sobre os valores obtidos pelo Master em disputas envolvendo precatórios. Apesar do tamanho do acordo, em quase dois anos foram identificadas apenas três manifestações processuais do escritório nas causas abrangidas pelo contrato.
Atuação justamente no TRF-1
Camilla e o filho, Gabriel Newton, foram habilitados nos processos em dezembro de 2024. Em 19 deles, outro escritório que já representava o Master continuou realizando as petições.
A exceção foi justamente uma ação no TRF-1, tribunal onde Newton Ramos é desembargador.
Nesse processo, o escritório pediu que uma ação envolvendo oito usinas fosse desmembrada. O requerimento foi apresentado em 22 de janeiro de 2025 e, no dia seguinte, o então presidente da Corte, desembargador João Batista Moreira, acolheu o pedido do Master sem ouvir previamente representantes das demais usinas, segundo os registros processuais.
5% para um escritório; 2% para outro
Outro ponto chama a atenção nos contratos. Enquanto o escritório de Camilla tinha previsão de receber 5% do que o Master obtivesse nas causas, o escritório que continuou apresentando a maior parte das petições possuía contrato de êxito de 2%.
O QVQR afirma que sua atuação não se limitou às petições e incluiu reuniões com autoridades, entre elas o então presidente do TRF-1 e representantes da Advocacia-Geral da União.
Visitas a Vorcaro
Camilla também tem visitado Daniel Vorcaro com frequência na prisão. A advogada afirma que os encontros servem para atualizá-lo sobre aproximadamente 20 processos envolvendo precatórios adquiridos pelo Master.
As visitas causaram questionamentos entre integrantes da defesa porque Camilla não atua na área criminal e Vorcaro não controla mais o Banco Master, que foi liquidado.
A defesa da advogada sustenta que os contratos são lícitos e regulares.
Marido participou de julgamentos
Antes da contratação do escritório da mulher, Newton Ramos também havia participado de julgamentos no TRF-1 envolvendo créditos do mesmo setor posteriormente relacionados aos interesses do Master.
O desembargador afirma que, quando participou do primeiro julgamento, não havia nos autos indicação de interesse do banco. Segundo ele, depois da entrada do Master no processo, seu impedimento passou a constar formalmente.
Contrato milionário do Master: advogada atuou em só uma de 20 ações, justamente no tribunal do marido
💬 Comentários (0)
Seja o primeiro a comentar!