Rogério Correia aciona STF para apurar voo de Flávio em jato ligado a Vorcaro na véspera de parcela do Dark Horse

Rogério Correia aciona STF para apurar voo de Flávio em jato ligado a Vorcaro na véspera de parcela do Dark Horse
Rogério Correia aciona STF - Rogério Correia (deputado estadual PT/MG). Foto: Divulgação

O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para pedir a apuração da viagem feita por Flávio Bolsonaro (PL-RJ), familiares e pelo advogado Willer Tomaz, em 19 de janeiro de 2025, entre Fort Lauderdale, na Flórida, e Brasília. O grupo viajou em um jato executivo cuja estrutura de propriedade e operação tinha participação de sociedades ligadas a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
A notícia de fato, apresentada para ser juntada ao Inquérito 5.070, chama atenção para a data do voo: 19 de janeiro de 2025, véspera do vencimento previsto da primeira parcela de US$ 2 milhões do aporte de US$ 24 milhões negociado para financiar o filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro.
O inquérito, relatado pelo ministro André Mendonça, apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos relacionados ao financiamento da produção. A Fórum já acompanha as investigações envolvendo Flávio Bolsonaro, Vorcaro e o financiamento de Dark Horse.
Rogério Correia aciona STF e aponta sequência de datas
A cronologia apresentada por Correia é um dos principais pontos da petição. Em 19 de janeiro, Flávio retornou ao Brasil no jato. No dia seguinte, 20 de janeiro, data em que estava previsto o vencimento da primeira parcela, o senador enviou uma mensagem ao intermediário Thiago Miranda pedindo que ele desse “um gás na resposta do jurídico do investidor”.
Segundo documentos da Polícia Federal citados na representação, Miranda encaminhou a mensagem a Daniel Vorcaro no mesmo dia. Oito dias depois, em 28 de janeiro, Vorcaro perguntou a Fabiano Zettel se o pagamento do filme havia sido feito. Diante da resposta negativa, afirmou que aquele pagamento era “o mais importante disparado”.
Apesar da previsão para 20 de janeiro, a primeira transferência identificada pelos investigadores ocorreu somente em 13 de fevereiro de 2025, no valor de US$ 2 milhões. Os registros analisados pela PF indicam sete remessas da Entre Investimentos e Participações ao fundo Havengate Development Fund, nos Estados Unidos, somando US$ 12,33 milhões.
Na notícia de fato, Correia não afirma que o voo tenha constituído uma vantagem dada a Flávio. O deputado pede que a Polícia Federal esclareça quem solicitou o deslocamento, quem efetivamente suportou seus custos e se a viagem teve alguma relação com as tratativas financeiras de Dark Horse.
Jato tinha Willer Tomaz e empresa ligada a Vorcaro entre cotistas
A viagem de Flávio Bolsonaro foi revelada pela revista piauí. O avião, um Legacy 650, era administrado em uma estrutura de propriedade compartilhada. À época do voo, a Prime You detinha uma das participações e também atuava na operação da aeronave. Daniel Vorcaro foi sócio da Prime You entre 2021 e setembro de 2025.
Willer Tomaz, que acompanhava Flávio na viagem, também detinha uma participação na aeronave. A petição pede à PF que obtenha junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) o histórico de propriedade e operação do avião e requisite à Prime You, à Prime Aviation e à Fraction 024 documentos capazes de mostrar quem pediu o voo, como as horas utilizadas foram atribuídas aos cotistas e quem arcou com as despesas.
Correia solicita ainda a obtenção do plano de voo, da declaração geral e da lista de passageiros e tripulantes, além da análise de registros migratórios e de eventuais declarações de bens ou valores feitas na entrada no Brasil.
Willer Tomaz e apartamento que pertenceu a Zettel
A representação também pede que a PF investigue outro episódio envolvendo Willer Tomaz. Em 2026, uma empresa do advogado comprou por R$ 3,5 milhões um apartamento que havia pertencido a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. O imóvel havia sido adquirido por Zettel em abril de 2025 por R$ 5,5 milhões.
O mesmo apartamento foi posteriormente utilizado por Flávio Bolsonaro durante atividades de campanha em São Paulo. Zettel é também o interlocutor a quem Vorcaro cobrou, em janeiro de 2025, o pagamento relacionado ao filme.
Correia pede que os investigadores examinem a cadeia de titularidade do imóvel e os fluxos financeiros da compra por Zettel e da posterior venda à WT Administração de Imóveis e Bens, empresa de Willer Tomaz. A petição também solicita a análise das comunicações de Vorcaro, Thiago Miranda e Zettel entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025 e a oitiva dos envolvidos.
O que dizem Flávio e Willer Tomaz
Após a divulgação do caso, Willer Tomaz afirmou que ele próprio solicitou e custeou integralmente o voo de janeiro de 2025, com o trecho debitado das horas correspondentes à sua participação na aeronave. Segundo o advogado, Vorcaro não pagou, autorizou ou participou do deslocamento, e os demais passageiros viajaram como seus convidados, sem cobrança ou contrapartida.
Tomaz também declarou que não conhece Daniel Vorcaro e que só soube em abril de 2026 da participação do empresário na estrutura relacionada à aeronave, quando decidiu romper o contrato. Flávio Bolsonaro, por sua vez, afirmou nas redes sociais que considerava o avião pertencente a Willer Tomaz.

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