Alckmin se pronuncia após polêmicas com Nossa Senhora: “notícias lamentáveis”

Alckmin se pronuncia após polêmicas com Nossa Senhora: “notícias lamentáveis”
- Geraldo Alckmin /Foto: Valter Campanato / Agência Brasil

O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou nesta sexta-feira (25) que o governo Lula pretende preservar as tradições religiosas e o respeito às diferentes religiões no Brasil. A manifestação ocorre em meio à repercussão de uma polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida e a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República.
Em publicação no Instagram, Alckmin afirmou ter recebido mensagens de católicos preocupados com as notícias que circulam desde quinta-feira (24).
“Tenho recebido mensagens de católicos preocupados com os rumos do país e com as notícias lamentáveis que estão circulando desde o dia de ontem”, escreveu o vice-presidente.
“Preciso esclarecer que enquanto o presidente Lula e eu estivermos governando esse país, as tradições religiosas, tão sagradas para as famílias brasileiras, estarão protegidas e preservadas”, acrescentou.
Alckmin também afirmou que o Brasil deve manter o respeito às diferentes religiões e preservar as tradições católicas.
“Defendemos que o Brasil é um país que tem respeito por todas as religiões e capaz de conservar pacificamente as tradições católicas”, afirmou.
Veja o vídeo:
https://www.instagram.com/reels/Ddt5RTsRPQf/
A polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida
A manifestação ocorre após a circulação de informações associando a candidatura de Flávio Bolsonaro a uma antiga proposta para alterar o reconhecimento legal de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil.
O projeto, porém, não é de autoria de Flávio Bolsonaro. Trata-se do PL 2.623/2007, apresentado pelo então deputado federal Victório Galli. A proposta pretendia substituir, na legislação relativa ao feriado de 12 de outubro, a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. O texto foi arquivado pela Câmara em 2008.
Galli, pastor evangélico e integrante da bancada evangélica durante sua passagem pela Câmara, posteriormente ocupou o cargo de assessor especial da Presidência durante o governo Jair Bolsonaro, entre fevereiro e junho de 2019. A relação política entre Galli e o ex-presidente voltou a ser mencionada no contexto da atual polêmica.
Na quinta-feira (24), Flávio Bolsonaro negou que tenha qualquer plano para retirar de Nossa Senhora Aparecida a condição de Padroeira do Brasil. A informação que circulava nas redes sociais foi posteriormente corrigida pela GloboNews, que havia associado o tema à atual disputa eleitoral.
A própria Revista Fórum destacou que o projeto original é de Galli e não de Flávio Bolsonaro. O episódio, portanto, envolve uma proposta antiga, já arquivada, que voltou ao debate em razão da atual campanha presidencial.
Bispos defendem soberania e democracia
A fala de Alckmin também ocorre poucos dias depois de manifestações de integrantes da Igreja Católica em defesa da soberania nacional e da democracia.
Em vídeo divulgado pelo Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus, afirmou que o voto é uma garantia da democracia. O bispo auxiliar Samuel Ferreira, por sua vez, destacou a defesa da “soberania do Brasil, da nossa Amazônia e de nossas riquezas e bens”.
A discussão sobre soberania também apareceu em uma homilia de Dom Orlando Brandes, arcebispo emérito de Aparecida. Durante celebração no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, o religioso afirmou que os brasileiros deveriam escolher seus candidatos de acordo com a própria consciência e pensando no bem comum.
“Vamos defender a nossa soberania. Nenhum poder de fora, seja quem for, não deve mandar aqui. Aqui é nossa soberania, aqui é nossa casa, aqui é nossa pátria”, afirmou Brandes.
A defesa da soberania não está restrita às manifestações individuais de bispos. A Comissão Episcopal para a Ação Sociotransformadora da CNBB promove, desde o início de setembro, a série “Eleições 2026: Ação Sociotransformadora por Soberania”, apresentada como uma iniciativa apartidária voltada à participação democrática e à reflexão sobre interferências externas na política brasileira.
Em sua manifestação desta sexta, Alckmin não mencionou diretamente Flávio Bolsonaro, Victório Galli ou a proposta de 2007. A mensagem se concentrou na garantia de que, sob seu governo e o de Lula, as tradições religiosas seriam preservadas, ao mesmo tempo em que reafirmou o respeito às diferentes religiões existentes no país.

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