Conselho do MPF arquiva por 5 a 4 pedido para investigar Gonet no caso Vorcaro

Conselho do MPF arquiva por 5 a 4 pedido para investigar Gonet no caso Vorcaro
- Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, em sessão plenária extraordinária do STF. Foto: Rosinei Coutinho/STF

O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) decidiu nesta sexta-feira (25) não afastar o procurador-geral da República, Paulo Gonet, dos casos relacionados ao Banco Master em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF).
Por 9 votos a 0, o colegiado rejeitou o afastamento de Gonet. Em outra votação, mais apertada, decidiu por 5 votos a 4 arquivar um pedido de investigação preliminar sobre a relação do procurador-geral com o banqueiro Daniel Vorcaro.
A análise ocorreu após a divulgação de relatórios da Polícia Federal produzidos a partir de dados extraídos do celular de Vorcaro, apreendido na Operação Compliance Zero.
Os documentos indicam interlocução entre o banqueiro e o chefe do Ministério Público, intermediada por um advogado.
Gonet, que preside o CSMPF e era alvo da representação, não participou da sessão.
Conselho do MPF arquiva pedido
O CSMPF analisou a situação de Gonet em duas frentes.
Na primeira, os nove integrantes presentes votaram contra seu afastamento dos casos relacionados ao Banco Master que tramitam no STF.
Na segunda, por 5 votos a 4, o conselho arquivou o pedido para aprofundar as apurações sobre a conduta de Gonet em relação a Vorcaro.
Com o arquivamento, nenhum subprocurador-geral será designado para coletar informações preliminares sobre a conduta do PGR.
Relatórios citam Gonet e Vorcaro
Os relatórios da Polícia Federal foram produzidos a partir de dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro.
Segundo os documentos, a interlocução entre o banqueiro e Gonet teria ocorrido majoritariamente por intermédio do advogado Ciro Soares.
Entre os episódios registrados estão mensagens que apontam que Vorcaro autorizou o custeio de despesas de uma viagem a Londres de Pedro Gonet, filho do procurador-geral, em abril de 2025.
Uma fotografia feita em Londres, em 2024, também mostra Vorcaro próximo a Paulo Gonet, que aparece segurando um charuto diante de uma mesa com copos de uísque.
Os relatórios também registram diálogos de abril de 2024 nos quais Ciro Soares afirma a Vorcaro ter pedido a intervenção de Gonet para convencer o subprocurador Georges Seigneur a desistir da disputa pela presidência do Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais (CNPG).
Três dias depois, Seigneur retirou sua candidatura e Jarbas Soares foi eleito por aclamação.
Em mensagens de outubro de 2025, Vorcaro também citou o procurador-geral ao pedir a um interlocutor que reforçasse conversas com autoridades para evitar medidas do Banco Central contra o Banco Master.
Gonet nega proximidade com Vorcaro e pediu ao STF a anulação do relatório da PF que o citava.
Relator vota pelo arquivamento
O relator da representação, Francisco Sanseverino, votou pelo arquivamento por considerar que não havia elementos mínimos de materialidade e autoria para justificar a abertura de um procedimento.
Ele foi acompanhado pelos conselheiros Celso de Albuquerque, Alexandre Camanho, Hindemburgo Chateaubriand e Nicolao Dino.
Sanseverino argumentou que as mensagens não poderiam ser examinadas isoladamente ou fora de contexto. Também destacou que não há registro de conversa direta entre Vorcaro e Gonet nem o contato do procurador-geral salvo no celular do banqueiro.
“Não se pode examinar frases ou troca de mensagens de forma isolada e ou descontextualizada para não criar uma situação artificial que não corresponda à realidade dos fatos. Para dar início à investigação criminal, é necessário existir elementos mínimos de materialidade e autoria dos fatos”, afirmou Sanseverino.
Quatro conselheiros defendem apuração
Janice Ascari, Samantha Chantal Dobrowolski, José Adônis e Ana Borges Santos divergiram do relator e defenderam a designação de um subprocurador-geral para aprofundar as apurações.
Ascari classificou a fotografia de Londres como “um claro momento de descontração social” e afirmou que não se tratava de um registro aleatório.
Dobrowolski defendeu que Gonet deveria ter se declarado impedido de atuar nos casos relacionados ao Banco Master.
Ao final, prevaleceu por 5 votos a 4 a posição pelo arquivamento do pedido de investigação preliminar.

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