Deputada aciona PF e STF sobre sumiço de esposa de ‘Sicário’, ‘testemunha-chave’ do caso Master

Deputada aciona PF e STF sobre sumiço de esposa de ‘Sicário’, ‘testemunha-chave’ do caso Master
Fachada do Banco Master em São Paulo

A deputada estadual Bella Gonçalves (PT-MG) protocolou, nesta terça-feira (22/09), pedidos de esclarecimentos à Polícia Federal e ao Supremo Tribunal Federal sobre o paradeiro de Nathana Lopes Figueiredo, esposa de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como ‘Sicário do Vorcaro’, que estava com ele durante  sua prisão no âmbito da Operação Compliance Zero.
Considerada pela própria Polícia Federal uma “testemunha-chave” das circunstâncias relacionadas a Sicário, Nathana recebeu autorização do ministro André Mendonça, relator do caso no STF, para deixar o Brasil e viajar para Dubai. Nathana havia se comprometido a prestar depoimento por videoconferência após a viagem. A deputada quer saber, portanto, se o depoimento efetivamente ocorreu, quais informações foram fornecidas e onde Nathana se encontra atualmente.
Documentos públicos citado na petição mostram que não há informações  se Nathana efetivamente embarcou, onde está atualmente ou se prestou o depoimento prometido. A defesa dela afirma que Nathana não participou dos crimes investigados, não foi indiciada e não está submetida a medidas cautelares.
“O que estamos cobrando é transparência. Existem perguntas objetivas que precisam ser respondidas pelas autoridades responsáveis pela investigação: onde está uma testemunha considerada chave pela própria Polícia Federal? Ela prestou o depoimento que havia prometido? As provas apreendidas foram periciadas? E quais informações foram obtidas antes e depois da morte de Sicário? A sociedade precisa ter acesso às respostas, respeitando, evidentemente, os sigilos que ainda forem necessários à investigação”, afirma Bella Gonçalves.
PF tentou impedir que Nathana deixasse o país
Na petição encaminhada ao ministro André Mendonça, Bella Gonçalves questiona quais foram os fundamentos para a autorização da viagem e quais medidas foram adotadas para garantir que a saída do país não prejudicasse a produção de provas. A parlamentar solicita ainda que o STF informe quais dessas medidas já foram cumpridas, quais permanecem pendentes e quais foram as conclusões obtidas a partir das diligências relacionadas a Nathana.
Segundo a documentação apresentada pela deputada, a PF havia solicitado que Nathana fosse impedida de deixar o país justamente porque considerava que a viagem poderia comprometer a apuração. O pedido de retenção do passaporte, entretanto, foi negado por Mendonça, sob o argumento de que ela havia demonstrado disposição para colaborar com as investigações.
O que aconteceu no apartamento onde Sicário foi preso?
Bella também cobra informações sobre as diligências realizadas no apartamento de alto padrão em Belo Horizonte onde Sicário foi preso. De acordo com a petição, os documentos apontam que não havia roupas em quantidade que demonstrasse que o imóvel era utilizado como residência fixa do investigado.
A deputada quer saber se a propriedade do imóvel foi identificada e se as imagens das câmeras de segurança do condomínio foram analisadas. Durante a operação, a PF apreendeu o equipamento que armazenava as imagens e havia uma câmera no hall do apartamento.
Outro ponto levantado por Bella é a perícia dos três aparelhos celulares apreendidos com Sicário e Nathana. A deputada pede que a PF informe se os telefones foram periciados e quais provas ou informações foram obtidas a partir deles.
Informações sobre a morte de Sicário
Além das questões envolvendo Nathana, a petição enviada à Polícia Federal pede esclarecimentos sobre a morte de Sicário, que ocorreu dois dias depois de sua prisão, quando ele estava sob custódia da PF em Minas Gerais.
A deputada quer saber se o inquérito que apurou as circunstâncias da morte foi formalmente arquivado, em que data, por qual autoridade e com quais fundamentos. A deputada também solicita informações sobre eventuais procedimentos ainda em andamento relacionados às atividades atribuídas a Sicário no caso Banco Master e pergunta se ele prestou depoimento antes de morrer e quais informações teriam sido colhidas.
Sicário aparece nas investigações como integrante de uma estrutura denominada “A Turma”, apontada pela PF como responsável por atividades de vigilância, obtenção de informações e monitoramento de pessoas. A decisão judicial que descreve as investigações também aponta uma relação de prestação de serviços entre Mourão e Daniel Vorcaro.
Transparência sobre o caso Master
Nos dois documentos protocolados, Bella Gonçalves sustenta que os esclarecimentos são necessários para garantir transparência sobre elementos da Operação Compliance Zero e pede acesso aos documentos pertinentes, preservando eventuais informações que permaneçam sob sigilo legal.
Entre os pontos encaminhados pela deputada estão:

A condição de Nathana no processo, como testemunha ou investigada;
Se ela prestou depoimento após a prisão de Sicário ou por videoconferência em Dubai;
Seu atual paradeiro e eventual contribuição para as investigações;
Se a saída do país comprometeu a apuração;
A análise das câmeras de segurança do imóvel;
A perícia dos celulares apreendidos;
O fundamento da autorização para a viagem internacional;
As medidas cautelares determinadas e seu cumprimento;
A situação do inquérito sobre a morte de Sicário;
E as diligências ainda pendentes relacionadas ao caso.

 

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