‘Clã tão radical quanto disfuncional’, diz Financial Times sobre família Bolsonaro

‘Clã tão radical quanto disfuncional’, diz Financial Times sobre família Bolsonaro
- Flávio, Jair, Eduardo e Carlos Bolsonaro. Foto: Roberto Jayme / Ascom / TSE

A capa deste final de semana da revista inglesa Financial Times, um dos jornais sobre economia mais influentes do mundo, traz uma reportagem sobre a família do ex-presidente Jair Bolsonaro com o título “Escândalo e sucessão na Casa dos Bolsonaro”. A matéria traça o perfil do ex-presidente, seus três filhos e a esposa Michelle Bolsonaro, além de compará-los à família de Donald Trump ao oscilarem entre “o conservadorismo e o caos”.
A reportagem é assinada pelo chefe da sucursal do FT no Brasil, Michael Pooler, e também cita os escândalos que envolvem a família Bolsonaro. Em relação a Jair Bolsonaro, a revista afirma que o ex-presidente é um “demagogo de extrema direita” e “porta-estandarte de um movimento populista conservador com tons religiosos que leva seu nome: o bolsonarismo”.
Em relação à família, o jornal afirma que os Bolsonaro formam um “clã tão radical quanto disfuncional” e praticam um “estilo paranoico de política” parecido com o do presidente dos Estados Unidos. “Assim como a família Trump, personificam o espírito político dos anos 2020: o superficial e o sinistro, a fusão de celebridade, redes sociais e a busca pelo poder”, diz a revista. 
Jair Bolsonaro
A revista classifica o ex-presidente, hoje preso e condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, como um “rei-sol em declínio”, em torno do qual orbitam a mulher e os três filhos mais velhos: Flávio Bolsonaro, Carlos Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro, os quais são chamados de “01”, “02” e “03” pelo ex-presidente. 
O jornal ainda afirma que Bolsonaro “ganhou notoriedade no exterior por sua aproximação com Donald Trump e por um aumento na destruição da floresta amazônica, assim como pela má condução da pandemia de Covid-19”.
Em relação aos filhos, uma fonte que conviveu com os Bolsonaro disse ao jornal que os filhos tinham medo do pai: “Ele é como um deus para eles”. 
Os filhos de Bolsonaro
A revista também traça um breve perfil de Flávio, Carlos e Eduardo. O atual candidato à presidência, 45, é apresentado como o “moderado autodeclarado” da família. Como ele mesmo já declarou, seria o “Bolsonaro vacinado”. Pessoas próximas também ouvidas pelo jornal afirmam que ele seria  o filho “mais normal”, tranquilo e que não guarda rancor.
Já Carlos, 43 anos, é descrito como o estrategista das redes sociais responsável pela vitória de Bolsonaro em 2018. Ele é chamado pelo próprio pai e pelo irmão de “pit bull da família”. Por fim, Eduardo, 42, é definido pela revista como o que mais se assemelha a Jair Bolsonaro. O ex-deputado, que teve o mandato cassado, está foragido nos Estados Unidos após ter medo da condenação por envolvimento com a trama golpista de 2023. 
A disputa entre os filhos e Michelle
O FT também fala sobre a disputa entre os três filhos de Bolsonaro com a madrasta e ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro sobre quem vai carregar o espólio eleitoral do ex-presidente. O jornal analisa que os detalhes da briga protagonizada por Michelle e Flávio Bolsonaro em junho pouco importavam, e o que chamou atenção foi a “hostilidade aberta”, que expôs uma fissura dentro da principal família que representa a direita e a extrema direita no país. 
O jornal chegou a entrevistar o pastor Silas Malafaia, que celebrou o casamento de Jair e Michelle, que afirmou que a disputa é sobre herança política. “A briga é sobre quem vai carregar o nome”, disse.
As ligações entre Flávio e Daniel Vorcaro
O jornal também destaca os escândalos de corrupção que explodiram nos últimos meses que envolvem Flávio Bolsonaro, Daniel Vorcaro, ex-banqueiro dono do Banco Master preso por suspeita de fraudes financeiras e o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. Como mostravam investigações da Polícia Federal e uma série de reportagens, o filme recebeu financiamento milionário de Daniel Vorcaro. Flávio pediu US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões na época) e recebeu pelo menos R$ 61 milhões. 
A revista mostra que, no entanto, apesar dos escândalos que cercam Flávio, as pesquisas ainda mostram amplo apoio ao filho de Jair Bolsonaro, com alguns resultados mostrando empate técnico entre ele e Lula (PT). 
Os cenários para as eleições de 2026
A revista também cita três cenários que podem ser traçados de acordo com o resultado das eleições presidenciais deste ano. O jornal afirma que se Flávio vencer, os Bolsonaro se consolidarão como uma “dinastia política”, e não como uma “anomalia passageira”. O FT destaca que Flávio rapidamente pressionaria o Congresso Nacional para anistiar os golpistas presos pelo 8 de Janeiro, como já prometeu, causando uma crise institucional ainda maior com o Supremo Tribunal Federal (STF). 
O deputado federal Lindbergh Farias (PT), vice-líder do governo federal na Câmara dos Deputados, afirmou ao jornal que uma vitória de Flávio seria “quase a transformação do Brasil numa colônia americana”.
Já se Flávio perder, uma pessoa próxima a Jair Bolsonaro contou ao jornal que o ex-presidente avaliou que, nesse caso, “a era Bolsonaro acabou”. Para a revista, uma derrota do clã Bolsonaro poderia abrir espaço para uma direita “mais moderada”, o que na visão do jornal seria representada por figuras como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Por fim, o terceiro cenário seria a derrota de Flávio e Carlos, mas a vitória de Michelle Bolsonaro no Senado. Desse modo, a madrasta passaria a ser a Bolsonaro  com o mandato nacional mais importante. Como avalia o FT e políticos brasileiros, os filhos não gostariam, mas seria a candidatura responsável por manter vivo o negócio da família.
 

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