Mexer com Nossa Senhora Aparecida é inaceitável, diz Lula

Mexer com Nossa Senhora Aparecida é inaceitável, diz Lula
- Lula com imagem de Nossa Senhora Aparecida. Foto: Ricardo Stuckert

O presidente Lula (PT) declarou, durante entrevista a jornalistas na BandNews, que mexer com Nossa Senhora Aparecida “não é aceitável”, diante da polêmica envolvendo a Santa, o candidato Flávio Bolsonaro e uma guerra simbólica entre católicos e evangélicos. 
Lula relembrou que já houve episódios de pastores chutando a imagem de Nossa Senhora Aparecida, em referência à agressão feita à imagem da Santa pelo bispo Sérgio Von Helder, da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), em 1995, durante seu programa na TV Record.
O presidente ainda acrescentou que Nossa Senhora Aparecida vai continuar sendo Padroeira do Brasil porque “o brasileiro quer e tem fé”. Lula ainda mandou um recado para Flávio Bolsonaro, afirmando que respeita todas as religiões e exige do adversário também o respeito.
“Eu respeito a religião evangélica, quero que ele respeite a religião católica. Quero que respeite a religião de matriz africana. Cada um professa sua fé como quiser, sem magoar os outros”, declarou o presidente. 
https://x.com/lulaoficial/status/2104373333211156524?s=46
Entenda a polêmica
Na última quinta-feira (24), circulou pelas redes sociais publicações que associavam Flávio Bolsonaro a um suposto movimento para alterar o título religioso de Nossa Senhora Aparecida em meio a uma disputa simbólica envolvendo católicos e evangélicos no debate eleitoral. O caso teve início após a jornalista Maria Cristina Fernandes, da GloboNews, mencionar a existência de uma movimentação em setores da Igreja Católica em reação a uma suposta articulação de grupos evangélicos para retirar o título da santa. 
Após a fala da jornalista viralizar, internautas recuperaram um projeto do candidato a deputado Victório Galli (Republicanos), que propôs, em 2007,  substituir o título de “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. Galli chegou a ser assessor de Jair Bolsonaro (PL) durante seu governo e hoje apoia a campanha de Flávio Bolsonaro. 
Eleitores também recuperaram um vídeo de Flávio Bolsonaro afirmando que sua primeira ação como presidente, caso fosse eleito, seria decretar que o Brasil “pertence a Jesus Cristo” – declaração que dialoga com os interesses do eleitorado evangélico. 
Após a polêmica, o senador foi às redes afirmar que as acusações eram falsas e negou a existência de qualquer projeto com o objetivo de retirar o título de Nossa Senhora Aparecida. 
Flávio acusa CNBB de fake news
Já neste domingo (27), Flávio voltou a falar sobre o caso e acusou a  Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) de espalhar a fake news sobre o assunto junto ao Partido dos Trabalhadores (PT).  
“O PT, eu sei hoje, já estava há alguns dias tentando levantar essa fake news e conseguiu com ajuda de gente de dentro da CNBB, infelizmente, essa é a realidade”, declarou o candidato.
CNBB rebate acusação 
 Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) se manifestou, neste domingo (27), contra as acusações de Flávio Bolsonaro (PL) que acusava a organização de compartilhar fake news contra ele em relação à polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida. Em nota, a CNBB afirmou que “mentira não se combate com outra mentira”.
A Conferência esclareceu que “não produziu, autorizou ou participou da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas ao atual processo eleitoral”. A entidade ainda declarou que “repudia a produção e a utilização de informações falsas, independentemente de sua origem ou de quem possam beneficiar ou prejudicar”.

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