Coordenador de campanha de Lula é contra ele ir no debate da Globo: “não tem que debater com miliciano”

Coordenador de campanha de Lula é contra ele ir no debate da Globo: “não tem que debater com miliciano”
- Marco Aurélio Carvalho (Lela Beltrão / Grupo Prerrogativas)

O advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da campanha de Lula em São Paulo, manifestou-se publicamente contra a participação do presidente no debate da TV Globo, agendado para a próxima quinta-feira. Em declarações ao UOL, Carvalho classificou Flávio Bolsonaro (PL) como “miliciano pior que o pai” e disse não ver sentido em Lula dividir o palco com ele no primeiro turno, contexto em que o senador já havia confirmado presença no debate mesmo sem a garantia da participação do presidente.
Coordenador de Lula critica debate e Flávio Bolsonaro
“Não vejo sentido em ele debater com miliciano no primeiro turno”, afirmou Carvalho ao UOL. A declaração foi feita após Flávio Bolsonaro (PL) anunciar, neste domingo, que comparecerá ao debate da TV Globo independentemente da presença de Lula. Para o coordenador, a confirmação do senador não cria nenhuma obrigação para o presidente.
A posição de Carvalho é direta: um presidente em exercício, candidato à reeleição, não teria por que se submeter a um confronto de palanque com um adversário a quem ele enquadra como representante da violência miliciana, e não como interlocutor político legítimo para o primeiro turno.
Justificativas da campanha e histórico
Segundo Carvalho, ao UOL, Lula é o único candidato que apresentou um programa de governo sólido, e a população já conhece sua capacidade e seu tamanho como político. O coordenador destacou que o presidente participou de todas as sabatinas e concedeu entrevistas a veículos internacionais, o que, na avaliação da campanha, dispensa a necessidade de um debate com Flávio Bolsonaro neste momento.
Carvalho foi além ao traçar a comparação: “Se a população escolher Flávio Bolsonaro para o segundo turno, Lula vai ter que se submeter a esse constrangimento. De um lado, temos um chefe de estado respeitado ao redor do mundo, e de outro temos um miliciano pior que o pai”, disse ele ao UOL, referindo-se ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Para reforçar o argumento, o coordenador evocou o debate de 2022, quando Lula teve que enfrentar o que chamou de “cena constrangedora de debater com padre de quermesse”, em referência a Padre Kelmon, que concorreu à Presidência naquele ano pelo PTB. Kelmon é hoje candidato a deputado federal em São Paulo pelo PL, mesmo partido de Flávio Bolsonaro.
Repercussão e acusações de Flávio Bolsonaro
Carvalho também usou a entrevista ao UOL para criticar uma declaração recente de Flávio Bolsonaro, que acusou “gente de dentro da CNBB” de ter articulado com o PT para disseminar fake news sobre Nossa Senhora Aparecida. A Confederação Nacional dos Bispos do Brasil repudiou a afirmação, respondendo que “mentira não se combate com outra mentira”.
Para o coordenador da campanha de Lula, a fala foi “muito grave” e expõe o caráter autoritário do senador. “Ele realmente estava tentando trazer a ideia de que era ‘o melhor dos Bolsonaro’, como fala sua propaganda. Mas muito longe disso: ele consegue ser mais bandido do que o próprio pai”, disse Carvalho ao UOL. Na avaliação do coordenador, o episódio desfaz a imagem moderada que Flávio Bolsonaro tenta construir e o aproxima, na prática, do perfil político do pai.

Ver mais

💬 Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!