Em debate do Senado em SC, candidato do PSOL acusa bolsonaristas de seletividade em relação à corrupção

Em debate do Senado em SC, candidato do PSOL acusa bolsonaristas de seletividade em relação à corrupção
Debate do Senado em SC. Na foto Décio Lima e Afrânio Boppre. - Foto Ricardo Wolffenbüttel / Campo Democrático

O debate do Senado em SC promovido pela NSC TV ganhou um dos momentos mais tensos na noite de sexta-feira (25), quando o candidato Afrânio Boppré (PSOL) reagiu a uma cobrança do senador Esperidião Amin (PP), que disputa a reeleição, sobre um eventual processo de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Amin pressionou o adversário para que se posicionasse sobre Moraes. Boppré respondeu dizendo não ter “rabo preso com ninguém” e acusou setores bolsonaristas de tratarem denúncias de corrupção de forma seletiva, concentrando ataques em integrantes do Supremo enquanto evitariam cobranças semelhantes contra aliados políticos.
O candidato do PSOL então levou para o debate o escândalo do Banco Master e citou diretamente Ciro Nogueira, presidente nacional do PP e correligionário de Amin.
“Eu não tenho rabo preso com ninguém, diferentemente de alguns que são seletivos, que miram num ministro do STF e passam pano para os outros. Há o escândalo, o escândalo do Banco Master, o escândalo do Vorcaro atingiu o seu partido, o presidente do seu partido, o Ciro Nogueira, recebendo mesada de quinhentos mil reais por mês. E o senhor é senador, colega de bancada dele, ele é o seu líder no Senado. E Vossa Excelência só passa pano, Vossa Excelência não vai para cima dos seus amigos”, disparou Boppré.
A referência feita pelo candidato ocorre em meio à investigação da Polícia Federal sobre a relação entre Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro. A PF apontou indícios de pagamentos mensais ligados ao senador que teriam chegado a R$ 500 mil. Ciro nega ter recebido valores ilícitos e afirma não ter cometido irregularidades.
Debate do Senado em SC chega a Flávio Bolsonaro
Boppré também levou para o confronto o nome de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência apoiado por Amin.
“Porque o seu candidato a presidente,  e eu quero deixar claro aqui, que é o Flávio Bolsonaro, também é senador da República, é seu colega. Também está a ser investigado pela Polícia Federal por corrupção, lavagem de dinheiro, e Vossa Excelência só quer fazer discussão em cima de um ministro”, afirmou.
Flávio Bolsonaro é formalmente investigado no inquérito que apura o financiamento de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro. A Polícia Federal pediu a abertura da investigação para apurar possíveis crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos relacionados ao financiamento da produção junto ao Banco Master.
Em outra frente relacionada a Dark Horse, o Supremo Tribunal Federal autorizou uma operação da Polícia Federal para investigar suspeitas de desvio de recursos oriundos de emendas parlamentares que teriam sido destinados, entre outras finalidades, à produção do longa.
Boppré ampliou o ataque e afirmou que as apurações envolvendo Daniel Vorcaro deveriam alcançar todos os personagens eventualmente envolvidos, independentemente do partido ou da posição institucional.
“O Brasil está atolado na corrupção. O Vorcaro aliciou o Congresso Nacional, senadores, deputados federais. O Vorcaro aliciou com prostitutas, inclusive ministros do STF. Nós temos de passar a limpo todos os casos, todos os casos. Não vou fazer uma de Esperidião…”, declarou.
Veja o trecho:

Amin reage
Esperidião Amin reagiu classificando as declarações do adversário como “levianas” e voltou a cobrar uma resposta objetiva sobre um eventual impeachment de Alexandre de Moraes. O senador acusou Boppré de tentar fugir da pergunta e pediu que o candidato deixasse de apontar o dedo contra ele.
Boppré rebateu imediatamente e afirmou que Amin não tinha “autoridade moral” para lhe dar ordens.
O debate promovido pela NSC TV reuniu ainda Décio Lima (PT), Jeferson Rocha (PRD) e Antídio Lunelli (MDB). Carlos Bolsonaro e Carol de Toni, ambos do PL, não participaram. A eleição de 2026 renovará duas das três cadeiras de Santa Catarina no Senado.

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