O deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP) desistiu nesta segunda-feira (28) de sua candidatura ao Senado por São Paulo e anunciou apoio a Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), os dois candidatos apoiados pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) na disputa pelas vagas paulistas.
A decisão foi anunciada a apenas seis dias do primeiro turno, durante uma coletiva após reunião no comitê de campanha de Tarcísio, em São Paulo. Salles apareceu ao lado do governador, de Derrite e de Prado para comunicar a retirada.
O movimento coloca fim, ao menos nesta reta final da campanha, a uma disputa que vinha dividindo a direita paulista. Salles passou os últimos meses confrontando principalmente André do Prado, atual presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), e chegou a defender que fosse o candidato do PL — e não ele — quem abandonasse a corrida pelo Senado.
“Nós estamos em um momento muito difícil para o país, um risco enorme de nós continuarmos nesse projeto extremamente equivocado que está nos levando para o buraco”, afirmou Salles durante o anúncio.
O parlamentar disse que as divergências anteriores deveriam ser deixadas de lado nesta reta final.
“O momento é tão grave que diferenças, opiniões diferentes, têm que ser deixadas de lado […]. Portanto, questões pessoais, opiniões diferentes, enfim, tudo isso fica menor diante de um objetivo maior”, declarou.
De alvo de Salles a candidato apoiado
A adesão a André do Prado representa uma mudança significativa no discurso adotado por Salles ao longo da campanha.
Nos debates, o deputado do Novo questionou repetidamente as credenciais de direita do presidente da Alesp, criticou suas alianças políticas e tentou vinculá-lo ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. Em uma das discussões, chegou a perguntar a Prado: “Qual credencial de direita você tem?”. Em outra ocasião, afirmou que o adversário seria uma “marionete” de Valdemar caso chegasse ao Senado.
O embate foi além das disputas partidárias. Em setembro, como mostrou a Fórum, Salles usou durante a campanha o caso de um ex-assessor ligado à estrutura partidária de Prado que foi condenado por estupro de vulnerável para atacar o candidato do PL.
Prado negou ter conhecimento dos crimes antes de as denúncias se tornarem públicas e afirmou, na ocasião, que o servidor foi demitido depois que o partido tomou ciência do caso. Também acusou Salles de explorar eleitoralmente o sofrimento da família.
Agora, os dois aparecem no mesmo palanque.
Tarcísio fala em “união da direita”
Tarcísio tratou a retirada de Salles como um gesto para concentrar votos em Derrite e André do Prado nas duas vagas em disputa.
“Muitas vezes a gente vê pessoas lutando por posições, lutando por cargos, lutando por destaque. Quando isso não ocorre, quando uma pessoa resolve abrir mão de uma posição, a gente tem que enaltecer”, afirmou o governador.
Tarcísio disse que Salles tinha “toda a legitimidade para continuar na sua caminhada”, mas decidiu dar “um passo ao lado” para ajudar a composição.
Em outro momento da coletiva, resumiu a estratégia: “É o momento de somar, não é o momento de dividir”.
O governador também deixou explícito como pretende orientar seus eleitores na votação para o Senado.
“Onde o primeiro voto for Guilherme Derrite, o segundo tem que ser André do Prado. Onde o primeiro voto for André do Prado, o segundo tem que ser Guilherme Derrite”, disse.
Cada eleitor paulista poderá escolher dois candidatos ao Senado no primeiro turno deste ano.
Para Tarcísio, o movimento paulista deveria ainda servir de exemplo para articulações semelhantes em outras partes do país.
“São Paulo sai na frente desse grande movimento de união da direita […]. A demonstração que São Paulo dá é uma demonstração importante para todo o Brasil e a gente espera até ver movimentos parecidos em outros estados também”, afirmou.
Salles vinha atrás nas pesquisas
A desistência ocorre também num cenário em que Salles chegou à última semana da campanha atrás do grupo de quatro candidatos que vinha concentrando a disputa pelas duas cadeiras.
No Paraná Pesquisas divulgado em 22 de setembro, Simone Tebet (PSB) tinha 29,6%, Derrite, 29,3%, Marina Silva (Rede), 28,3%, e André do Prado, 25%. Os quatro estavam tecnicamente empatados considerando a margem de erro de 2,5 pontos percentuais. Salles aparecia com 10,6%.
Outros levantamentos divulgados ao longo do mês também colocaram Derrite, Prado, Tebet e Marina à frente do deputado do Novo.
Salles permanece no mandato de deputado federal por São Paulo. A desistência da candidatura ao Senado não interfere no mandato atual.
Segundo o calendário oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o primeiro turno das eleições será realizado no próximo domingo, 4 de outubro.
Salles desiste de candidatura ao Senado em SP e declara apoio a André do Prado
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