Acuado, Flávio Bolsonaro faz elogio à CNBB após atacar bispos católicos do país

Acuado, Flávio Bolsonaro faz elogio à CNBB após atacar bispos católicos do país
- O senador Flávio Bolsonaro em campanha eleitoral, em São Paulo - Foto: Leandro Chemalle/Revista Fórum

Pressionado pela retração expressiva em seu desempenho nas pesquisas de intenção de voto e sob forte desgaste público no eleitorado religioso, o senador Flávio Bolsonaro (PL) promoveu uma reviravolta no tom das suas declarações sobre a hierarquia da Igreja Católica no Brasil. Durante agenda de campanha realizada na capital paulista nesta segunda-feira (28), o postulante ao Planalto buscou arrefecer os estragos causados por declarações proferidas no fim de semana e teceu elogios ao episcopado nacional.
Cercado por aliados de peso em São Paulo, como o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e os candidatos ao Senado Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), o presidenciável tentou se reaproximar da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A mudança de tom ocorre poucas horas após o próprio senador ter desferido duros ataques à instituição religiosa.
Em pronunciamento durante o ato político em solo paulista, Flávio Bolsonaro celebrou o suposto teor, segundo sua interpretação, de uma manifestação emitida pela entidade representativa dos bispos:

“Eu estava esperando a nota da CNBB e saiu hoje. Foi muito boa a nota dela, esclarecedora, porque confirma que essa questão de Nossa Senhora Aparecida ela deixar de ser a padroeira do Brasil era uma grande mentira, era a maior fake news desta campanha… Então a CNBB nesse comunicado, e agradeço a CNBB, confirmando que essa é uma grande fake news que foi potencializada pelo PT.”

A tentativa de trégua marca um contraste direto com a postura adotada pelo candidato no dia anterior. No domingo (27), o senador havia acusado abertamente membros do clero católico de atuarem em conluio com a oposição para inflar o entrevero eleitoral ao redor do maior símbolo religioso nacional, Nossa Senhora Aparecida:

“A maior fake news dessa campanha foi essa sobre Nossa Senhora Aparecida, algo que nunca, não existia esse movimento pra tirar ela de ser padroeira do Brasil, jamais existia, não tem projeto, não tem nada. O PT já estava há alguns dias tentando levantar essa fake news, conseguiu com ajuda de gente dentro da CNBB, infelizmente, essa é a realidade.”

A retórica de conciliação ensaiada nesta segunda-feira tenta conter os danos de uma crise que se desdobrou a partir de articulações promovidas por setores de sua própria base aliada. Conforme diversas apurações e matérias, a contestação sobre o patronato de Nossa Senhora Aparecida não surgiu no espectro adversário, mas sim a partir de iniciativas e discursos impulsionados por lideranças de seu núcleo evangélico radical. O movimento, que visava questionar prerrogativas e a proeminência de símbolos católicos no Estado laico, gerou imediata reação de bispos e fiéis por todo o país.
Mesmo com o aceno público do candidato e o agradecimento endereçado à direção da conferência episcopal, o ambiente de tensão permanece elevado no eleitorado católico. A reavaliação tática da campanha bolsonarista esbarra no ressentimento acumulado entre os fiéis, que viram a padroeira do país ser instrumentalizada em meio à disputa política e a própria liderança da Igreja ser alvo de investidas diretas do candidato extremista.

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