Um grupo de 75 criadores de conteúdo, artistas e comunicadores lançou uma carta de apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e apresentou dez compromissos para a agenda de comunicação e tecnologia do próximo governo.
O documento coloca no centro do debate a necessidade de regras para plataformas digitais, transparência algorítmica e proteção de direitos no avanço da inteligência artificial.
Entre os signatários estão a influenciadora Nath Finanças, nome de Nathália Rodrigues de Oliveira, e o ator e professor Guilherme Terreri, conhecido pela personagem Rita von Hunty. Segundo os organizadores, os criadores reunidos na iniciativa somam mais de 12 milhões de seguidores no Instagram.
Carta defende transparência nos algoritmos
O manifesto afirma que o apoio à candidatura de Lula está relacionado à disputa sobre os rumos da comunicação e da tecnologia no Brasil. Os autores defendem que o próximo governo avance em políticas públicas voltadas ao funcionamento das plataformas digitais.
Entre os dez compromissos apresentados está a criação de mecanismos para garantir mais transparência nos sistemas de recomendação das redes sociais, com informações sobre critérios de impulsionamento, restrição de alcance e monetização.
O grupo também propõe acesso a dados para auditorias independentes dos algoritmos e defende a portabilidade de conteúdos e informações entre diferentes plataformas.
Outra reivindicação é que usuários possam ter mais controle sobre a organização dos próprios feeds, incluindo a possibilidade de escolher modelos de exibição, como a ordem cronológica das publicações.
Inteligência artificial e direitos autorais
O manifesto também dedica parte das propostas ao avanço da inteligência artificial. Os signatários pedem transparência sobre o uso de fotos, músicas, vozes, ilustrações e textos utilizados no treinamento de sistemas de IA.
O documento defende ainda medidas contra a clonagem não autorizada de identidade e o uso comercial de conteúdos sem consentimento dos criadores.
“Não aceitaremos um futuro em que o trabalho humano fornece a matéria-prima, empresas privadas concentram o valor econômico produzido e os próprios trabalhadores passam a competir com sistemas construídos a partir de sua própria produção”, afirma o texto.
Criadores querem participação em políticas digitais
Além das propostas relacionadas aos algoritmos e à inteligência artificial, a carta defende mudanças na remuneração dos produtores de conteúdo e maior transparência na divisão das receitas geradas pelas plataformas.
O grupo também propõe investimentos em uma infraestrutura digital pública e descentralizada, baseada em software livre, e políticas para ampliar a capacidade tecnológica desenvolvida no Brasil.
Outro ponto apresentado é a criação de uma Mesa Permanente de Criadores Digitais na Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, por meio da Secretaria de Políticas Digitais.
A ideia é criar um espaço de diálogo entre representantes do setor e o governo para acompanhar a formulação de políticas relacionadas às plataformas e à inteligência artificial.
Os signatários afirmam, porém, que o apoio eleitoral não significa abandonar a autonomia crítica. “Nosso apoio não significa abrir mão da crítica, da cobrança ou da nossa autonomia”, diz o manifesto.
Quem assinou
Entre os criadores que assinam a carta estão:
– 300Noise (@300noise);
– Alexandre Simone (@historiasdeterapia);
– Alexandre Paes Leme (@alepaesleme);
– Aline de Assis (@alinelks);
Amunchy (@amunchy.arts);
Andre Alves (@andre.alves.oli);
BIANA (@bianaaf);
Bibiana Terra (@bibilandia.co);
Bruna Pimenta (@bruolipimenta);
Budejo Podcast (@budejopodcast);
Cami Martins (punkdodevops);
Camila Fremder (@cafremder);
Carissa Vieira (@carissinhavieira);
Carol Bonomi (@carolbonomi_);
Carol Jesper (@portugueselegal);
Carolina Packer (@carolina.packer);
Ciência Materialista (@cienciamaterialista);
Clariana Leal (@clarisleal);
Cria Coletivo (@criacoletivo.cc);
Cris Vector (@crisvector);
Daniel Duncan (@danielduncan);
Dante Emmanuel (@danteemmanuelsl);
Dassayeve Lima (@saudementalcritica);
– Diego José (@espanholtranqui);
– Dinelli (@dinelliarte);
– Fabiana Lima (@cinemafilia);
– Fabio Cruz (@eusoufabao);
– Flávia Albuquerque (@despatologiza);
– Franchesca Aurora Weiss (@transpsicologa);
– Francisco Figueiredo (@figueired0o__);
– Gabrielle Heinz (@gabrielleheinz);
– Glainá Boucinha (@glaina);
– Helder Maldonado (@helder_maldonado);
– Ing Lee (@inglee);
– Ítalo Costa (@oitalocostaa);
– Joe Loreto (@ahnegao);
– Judz (@nietzsche4speed);
– Juju dos Teclados (@jujudosteclados);
– Juliana Wallauer (@mamilospod);
– Laila Zaid (@lailazaid);
– Lauany Schultz (@lauanyschulz);
– Laura Sabino (@mylaura_m);
– Leonardo Rodrigues (@psi.leonardorodrigues);
– Leticia Sarturi (@leticiasarturi);
– Lila Cruz (@colorlilas);
– Lucas Galdino (@historiasdeterapia);
– Lucca Najar (@luccanajar);
– Luiz Ribeiro (@jornalnota);
– Luiza de Souza (@ilustralu);
– Luma Mattos (@lumaplease);
– Orlando Calheiros (@ocalheiros);
– Magdiel (@137magdiel);
– Márcio Rolim (@marciorolimoficial);
– Marcela Casagrande (@martchela__);
– Matheus Sodré (@sodremat);
– Miranda (@aquela.miranda);
– Nath Finanças (@nathfinancas);
– Normose (@_normose);
– Paula Cruz (@Thepaulacruz);
– Paula Villar (@artevillar);
– PJ Brandão (@hqsemroteiro);
– Presley Vasconcellos (@eupresley);
– Rita Von Hunty (@_rita_von_hunty);
– Sabrina Fernandes (@sabrinabfernandes);
– Samira Soares (@NarrativasNegras);
– Sandro Justo (@sanjusto85);
– Silva João (@silvazuao);
– Svetlanna (@svetlanna.jpg);
– Tabata Romero @tabataromeroo;
– Taz Assunção (@taz.assuncao);
– Thiago Guimarães (@orathiago);
– Ursula Dorada (@ursuladorada);
– Viracasacas Podcast (@viracasacas);
– Ygor Palopoli (@ygorpalopoli);
– Walter Lippold (@profwalterlippold)
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