O candidato a deputado federal Nabil Bonduki (PT-SP) apresentou nesta segunda-feira (28) uma notícia de fato à Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) em que pede a suspensão temporária da plataforma “Tem Meu Voto”, divulgada no domingo (27) pelo apresentador Luciano Huck durante a programação da TV Globo.
Na representação, Nabil questiona os critérios utilizados pela ferramenta para apresentar candidatos aos usuários e pede que o sistema seja retirado temporariamente do ar até que sua metodologia seja esclarecida e, se necessário, submetida a auditoria.
A plataforma se apresenta como gratuita e apartidária e afirma reunir cerca de 20 mil candidaturas ao Senado, à Câmara dos Deputados e às Assembleias Legislativas. O eleitor responde a perguntas sobre diferentes temas e recebe nomes de candidatos acompanhados de um percentual de compatibilidade. Segundo a própria ferramenta, os resultados são apresentados em ordem sorteada e não constituem um ranking.
Nabil questiona resultados
Na representação, Nabil afirma ter realizado testes pessoalmente e cita relatos publicados nas redes sociais por usuários que questionaram os resultados apresentados.
Segundo o documento, houve simulações nas quais respostas consideradas mais próximas de posições de esquerda resultaram na apresentação, entre os primeiros nomes, de candidatos identificados com a direita ou o centro, mesmo quando outros candidatos apareciam com percentuais maiores de compatibilidade.
Capturas de tela incluídas na representação mostram, por exemplo, resultados com candidatos do Solidariedade, PL e Novo e reproduzem reclamações de usuários sobre os nomes apresentados pela ferramenta.
Para Nabil, essa dinâmica precisa ser esclarecida porque pode fazer o usuário interpretar o primeiro candidato exibido como aquele de maior compatibilidade, ainda que os percentuais apresentados pelo próprio sistema indiquem resultado diferente.
Relação com Tarcísio
Outro ponto citado na representação é uma reportagem segundo a qual Fábio Silva, apontado no documento como idealizador da plataforma, teria relações políticas com o governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas.
Nabil sustenta que essa informação deve ser analisada para verificar a existência ou não de eventual viés ou direcionamento na apresentação dos resultados.
O candidato, porém, reconhece no próprio documento que não possui os meios técnicos nem as informações necessárias para comprovar por conta própria eventual direcionamento. Por isso, pede a atuação dos órgãos eleitorais para investigar o funcionamento da ferramenta.
O que Nabil pede
Além da suspensão temporária, Nabil solicita que os responsáveis pela “Tem Meu Voto” entreguem informações técnicas sobre o funcionamento da plataforma, incluindo a metodologia completa usada para calcular a compatibilidade, os critérios de seleção e ordenação dos candidatos e eventuais mecanismos de desempate, filtragem ou ponderação.
Ele também pede que os órgãos de fiscalização eleitoral tenham acesso aos elementos necessários para auditar o sistema.
Caso uma eventual investigação constate viés, direcionamento indevido, manipulação dos resultados ou outra irregularidade capaz de afetar a igualdade entre as candidaturas ou induzir eleitores ao erro, Nabil pede que sejam adotadas medidas judiciais, inclusive a retirada definitiva da plataforma do ar e eventual responsabilização de seus responsáveis.
Nabil aciona PGE e pede suspensão de plataforma divulgada por Luciano Huck
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