Extrema direita não representa o cristianismo, diz papa Leão 14

Extrema direita não representa o cristianismo, diz papa Leão 14
- Reprodução de Vídeo/TV Vaticano

O papa Leão 14 afirmou nesta segunda-feira (28) que posições da extrema direita associadas a determinadas expressões religiosas “não são uma expressão autêntica do cristianismo”.
A declaração foi dada durante entrevista a jornalistas no voo de retorno ao Vaticano após uma visita oficial de quatro dias à França.
Questionado sobre a Alemanha, onde partidos de extrema direita ampliaram sua presença eleitoral, o pontífice afirmou que seria necessário analisar uma possível relação entre a crise enfrentada por instituições religiosas e o crescimento desses movimentos políticos.
“Seria interessante estudar e analisar se existe, e de que maneira poderia existir, uma relação, por exemplo, entre o crescimento desses grupos de extrema direita”, afirmou.
Leão 14 disse ainda que pretende manter diálogo com lideranças católicas e protestantes alemãs sobre o tema. Segundo ele, representantes das duas tradições religiosas já se posicionaram contra a associação entre discursos extremistas e determinados usos da religião.
Papa cita valores do Evangelho ao criticar extremismo
Durante a entrevista, o papa afirmou que os valores cristãos não estão relacionados ao ódio ou à divisão, mas à compreensão, à compaixão e ao acompanhamento das pessoas.
Leão 14 também defendeu que a Igreja incentive a participação política dos fiéis em defesa do bem comum e de escolhas conscientes. Segundo ele, os efeitos de ideias extremistas ainda podem não ser totalmente conhecidos.
A fala ocorre em meio ao avanço da Alternativa para a Alemanha (AfD), principal partido de extrema direita do país. A legenda ficou em segundo lugar nas eleições federais de 2025, com 20,8% dos votos, e venceu a disputa estadual na Saxônia-Anhalt em 2026, além de ter ficado em primeiro lugar em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental.
Leão 14 critica rearmamento e pede acordo na Ucrânia
A declaração sobre a extrema direita ocorreu após uma viagem marcada por discursos sobre os principais desafios políticos da Europa.
Durante a passagem pela França, o pontífice defendeu valores como o Estado de Direito e a igualdade entre as pessoas. Também falou sobre a guerra na Ucrânia e pediu que negociadores estejam dispostos a abrir mão de posições para alcançar um acordo de paz.
Sem citar diretamente os países envolvidos, Leão 14 classificou o conflito como um “novo massacre sem sentido” e afirmou que as mortes de civis continuam sendo uma consequência da guerra.
O papa também criticou o aumento dos gastos militares europeus e afirmou que o rearmamento não deve ser tratado como uma resposta automática aos problemas de segurança.
Ao lado do presidente francês, Emmanuel Macron, Leão 14 defendeu políticas de acolhimento e integração para imigrantes na Europa.
O pontífice pediu a criação de caminhos legais e seguros para a migração e afirmou que os países devem atuar em cooperação contra o tráfico de pessoas.
A visita à França marcou uma série de manifestações do papa sobre temas que envolvem a política europeia, como guerras, migração e crescimento de movimentos nacionalistas.

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