Mimos que teriam sido pagos por lobista a Flávio Bolsonaro: Rolex de R$ 305 mil, academia de R$ 90 mil…

Mimos que teriam sido pagos por lobista a Flávio Bolsonaro: Rolex de R$ 305 mil, academia de R$ 90 mil…
Flávio Bolsonaro - Flavio Bolsonaro/Foto: Mateus Bonomi / Anadolu via AFP

Documentos, mensagens e comprovantes mantidos por Alexandre Ferreira Dias Santini, ex-sócio e antigo amigo de Flávio Bolsonaro, apontam que pessoas próximas ao senador teriam custeado despesas pessoais dele durante o período em que seu pai, Jair Bolsonaro, ocupava a Presidência da República. Entre os registros divulgados pelo jornalista Rodrigo Rangel, do site PLATÔBR, estão notas fiscais, planilhas, comprovantes de pagamento e conversas que, segundo pessoas que acompanharam a relação entre os dois, foram preservados por Santini após o rompimento da amizade.
Santini tornou-se sócio de Flávio quando o então deputado estadual mantinha a Bolsotini Chocolates e Café Ltda., razão social da chocolateria ligada ao senador. O material reunido pelo ex-sócio incluiria ainda gravações nas quais ele relata informações sobre a relação com Flávio e sobre episódios envolvendo o círculo de amigos do parlamentar.
Parte dos documentos diz respeito a movimentações financeiras da chocolateria e a despesas pessoais atribuídas a Flávio. Segundo os relatos associados ao material, recursos que circulavam no negócio teriam sido utilizados para pagar gastos particulares e despesas relacionadas a investimentos imobiliários do então deputado. Essas informações se relacionam a questões que já haviam sido examinadas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro durante as investigações sobre o esquema conhecido como rachadinha.
Os registros mais recentes, porém, dizem respeito ao período em que Flávio já era senador e Jair Bolsonaro comandava o governo federal. Segundo o material, um grupo de amigos do parlamentar passou a atuar em Brasília e a manter contato com empresários, lobistas e advogados interessados em negócios e demandas junto à administração federal.
Casa no Lago Sul
Uma das estruturas mencionadas nos registros era uma casa alugada no Lago Sul, em Brasília. O imóvel teria funcionado como ponto de encontro de pessoas que buscavam encaminhar interesses na máquina pública federal. Dois amigos de Flávio vindos do Rio de Janeiro mantinham atividades no endereço, que era visitado pelo senador.
Um deles foi preso em 2020 sob suspeita de participação no chamado “QG da Propina”, investigação relacionada à administração do então prefeito do Rio de Janeiro Marcelo Crivella. O outro era o advogado Alan Belaciano, que, segundo o texto, havia sido detido anteriormente por se apresentar como juiz, embora não ocupasse o cargo.
Advogado especializado em direito trabalhista e esportivo, Belaciano passou a ter acesso a círculos de Brasília por sua proximidade com Flávio. Atualmente, ele presta auxílio ao Vasco da Gama em questões relacionadas à situação financeira do clube.
Durante o governo de Jair Bolsonaro, o grupo de amigos do senador teria ampliado os contatos com empresários e integrantes do governo. Na pandemia de Covid-19, segundo os registros, integrantes desse círculo mantiveram contato com empresários envolvidos na negociação de um contrato para a compra da vacina indiana Covaxin pelo Ministério da Saúde. O acordo, de valor bilionário, acabou cancelado após surgirem suspeitas de irregularidades.
Despesas pagas por amigos
Os documentos reunidos por Santini também indicariam que integrantes desse grupo assumiam despesas pessoais de Flávio. Um dos episódios já havia vindo a público: Belaciano teria pago equipamentos de academia para a casa comprada pelo senador em Brasília por R$ 5,9 milhões.
As notas fiscais apontaram gastos superiores a R$ 90 mil com os equipamentos. Na época, Flávio afirmou que os produtos haviam sido adquiridos por um “amigo de longa data” como parte de um “empréstimo pessoal”, que seria posteriormente quitado por ele.
O material agora atribuído a Santini aponta outros pagamentos. Entre eles estão despesas com reparos na residência, a compra de uma televisão de 75 polegadas e mensalidades de uma academia frequentada pelo senador e sua mulher.
Segundo as informações, funcionários ligados ao grupo que mantinha atividades no Lago Sul também teriam sido acionados para resolver problemas na residência de Flávio, com despesas pagas pelos próprios amigos.
Rolex de R$ 305 mil
Um dos registros envolve a compra de um relógio Rolex em ouro branco, modelo Submariner Date, para Flávio Bolsonaro.
A aquisição ocorreu em 10 de fevereiro de 2022, em uma loja de Brasília. A nota fiscal foi emitida em nome de Alan Belaciano e registra o valor de R$ 305 mil.
Mensagens e outros documentos mantidos por Santini indicariam, segundo o material, que embora a compra tenha sido registrada em nome do advogado, o relógio teria sido adquirido para Flávio.
O episódio se soma aos registros de outras despesas atribuídas ao grupo de amigos do senador durante o período em que Jair Bolsonaro estava no Palácio do Planalto.
Rompimento
A relação entre Flávio e Santini terminou em meio a uma disputa que levou o ex-sócio a fazer ameaças de revelar informações sobre o senador. Na época em que vieram a público as primeiras notas fiscais relacionadas aos equipamentos da academia, Flávio reconheceu que um amigo havia feito o pagamento, mas classificou a operação como um empréstimo.
Sobre Santini, o senador afirmou: “Ele tem mandado uns recados esquisitos para mim. Já me pediu dinheiro e eu não dei. Não quero dar linha para maluco. É um ex-sócio e ex-amigo”.
Flávio também classificou as acusações como “infundadas”. O material preservado pelo ex-sócio, no entanto, reúne registros de diferentes episódios envolvendo despesas, pagamentos e relações de proximidade mantidas pelo senador durante o governo de Jair Bolsonaro.

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