O senador Flávio Bolsonaro (PL) teria recorrido a referências religiosas ao tentar encerrar a crise com o ex-sócio Alexandre Ferreira Dias Santini após a revelação de supostos encontros privados com garotas de programa, segundo reportagem publicada nesta terça-feira (29) pelo PlatôBR, assinada pelo jornalista Rodrigo Rangel.
Em uma mensagem enviada por WhatsApp ao antigo amigo, reproduzida pelo site, Flávio afirma que teria se arrependido de “muitas escolhas erradas” e pede que Santini se afaste de sua mulher, Fernanda Bolsonaro. O senador também acusa o ex-sócio de ter lhe dado um “tiro nas costas” e afirma que não permitiria que ele destruísse sua família.
A mensagem, segundo o PlatôBR, foi enviada depois que Santini procurou Fernanda Bolsonaro para relatar informações sobre a vida pessoal do senador e apresentar registros que teria guardado durante os anos de amizade entre os dois. O ex-sócio teria mostrado à dentista imagens, mensagens e outros materiais que, segundo ele, comprovariam a participação de Flávio em festas privadas com garotas de programa.
“Deus te usou para me fazer um pai, um marido e uma pessoa melhor”
Segundo o PlatôBR, após o episódio envolvendo Fernanda Bolsonaro, Flávio Bolsonaro escreveu ao ex-sócio pedindo que ele interrompesse o contato com sua mulher.
Na mensagem reproduzida pela reportagem, o senador afirma:
“Não sei o que vc está ganhando querendo destruir meu casamento e minha família, mas saiba que Deus te usou pra me fazer um pai, um marido e uma pessoa melhor.”
Na sequência, Flávio diz que teria se arrependido de atitudes anteriores:
“Me arrependi, de verdade, de muitas escolhas erradas que fiz na vida e não vou errar nunca mais com minha família.”
O senador também pede que Santini deixe Brasília e interrompa a relação com Fernanda:
“Peço que se afaste definitivamente da Fernanda, não ligue mais, não procure mais, arrume outra dentista.”
Ao final da mensagem, Flávio afirma:
“Nunca imaginei que logo vc seria a pessoa a me dar tiro nas costas desse jeito.”
Santini teria respondido questionando o conteúdo da mensagem:
“Flávio, você tem noção do que você escreveu, e para quem escreveu? Acredito que tenha mandado para a pessoa errada. Abraço”.
Crise começou após rompimento entre sócios da loja de chocolates
O episódio relatado pelo PlatôBR faz parte de uma disputa que começou após o rompimento entre Flávio Bolsonaro e Alexandre Santini, antigos sócios na Bolsotini Chocolates e Café Ltda., franquia da Kopenhagen que funcionava em um shopping da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.
Segundo a reportagem, Santini alegava que o senador lhe devia dinheiro após o encerramento do negócio e passou a cobrar um “acerto de contas”. A empresa havia sido investigada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro no contexto das apurações das rachadinhas, quando Flávio ainda era deputado estadual.
O PlatôBR afirma que, durante o período de litígio, Santini reuniu mensagens de texto, áudios, documentos e fotos que teria entregue a pessoas influentes em Brasília. O material, segundo a reportagem, incluiria relatos sobre supostas festas privadas, presentes de alto valor e articulações envolvendo pessoas próximas ao então governo Jair Bolsonaro.
Mensagens sobre festas privadas e a crise no casamento
Ainda segundo a reportagem de Guilherme Amado, Santini teria organizado encontros privados com garotas de programa e guardado registros dessas situações.
O PlatôBR reproduziu uma conversa em que Santini fala com uma agenciadora de garotas de programa sobre uma nova “festinha” semelhante a uma realizada no Grand Hyatt, hotel de luxo na Barra da Tijuca.
Na mensagem, Santini escreve:
“Fala bb, tudo bem? Eu estava viajando de férias e voltei hj. Vamos marcar outra festinha igual a do grand hyatt. Com os mesmos amigos meus… meu filho + João Pedro. Vc arruma as meninas?”
Segundo a reportagem, após ser procurada por Santini, Fernanda Bolsonaro teve acesso a fotos, prints de conversas e outros registros apresentados pelo ex-sócio. O episódio teria provocado uma crise no casamento do senador.
Ex-sócio dizia ter informações capazes de comprometer Flávio
A reportagem do PlatôBR afirma que o rompimento entre os dois transformou uma relação de amizade em uma disputa marcada por ameaças e cobranças.
Segundo o texto, Santini dizia possuir informações capazes de prejudicar a trajetória política de Flávio Bolsonaro. Em uma das conversas citadas pela reportagem, o ex-sócio afirma:
“Se eu quiser, eu ponho o Flávio na cadeia. Com o que tenho na mão, ele vai preso. Sei tudo da vida dele.”
O material reunido por Santini, segundo o PlatôBR, não envolveria apenas questões pessoais. A reportagem também relata registros relacionados à atuação de Flávio Bolsonaro durante o governo do pai, incluindo supostos pagamentos de despesas pessoais por pessoas próximas e uma articulação envolvendo o gabinete do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Do conflito pessoal ao embate político
A reportagem aponta que o episódio envolvendo Santini expõe uma fase da trajetória de Flávio Bolsonaro em que relações pessoais, negócios e política se misturavam.
Segundo o PlatôBR, o senador era procurado por pessoas interessadas em solucionar questões em órgãos públicos durante o governo Jair Bolsonaro, como ministérios, CVM, Cade e tribunais.
O material revelado pelo site também inclui a alegação de que parceiros próximos teriam custeado despesas e presentes de luxo para o senador, entre eles um Rolex em ouro branco avaliado em R$ 305 mil, comprado pelo advogado Alan Belaciano, segundo documentos citados pela reportagem.
Flávio Bolsonaro não se manifestou sobre o conteúdo da reportagem do PlatôBR.
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