Alexandre Ferreira Dias Santini, ex-sócio do candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL), voltou a se destacar na cena política brasileira nesta terça-feira (29) após uma reportagem do jornalista Rodrigo Rangel, do PlatôBR, revelar uma série de segredos que Santini guarda sobre o ex-senador.
Empresário paulista que se mudou ainda jovem para o Rio de Janeiro, onde cursou Administração de Empresas, Santini veio de uma família de alta renda e, na cidade carioca, fez forte amizade com Flávio Bolsonaro no início dos anos 2000. Santini, que chegou a abrir uma empresa de importação e exportação em sociedade com Carlos Alberto Parreira, ex-técnico da Seleção Brasileira, conheceu Flávio por meio de amizades em comum e logo se tornou alguém praticamente da família do senador.
Descrito como alguém expansivo, falante e com aparência de “playboy”, Santini se tornou um dos amigos mais próximos de Flávio Bolsonaro quando ele ainda era deputado estadual. O empresário teria passado a frequentar também o círculo familiar dos Bolsonaro, inclusive tendo participar de encontros restritos da família. Em 2018, quando o ex-presidente Jair Bolsonaro foi esfaqueado durante a campanha em Juiz de Fora, Santini viajou de carro às pressas com Flávio para a cidade.
A sociedade com Flávio Bolsonaro
O principal capítulo da trajetória empresarial e de relações com Flávio Bolsonaro de Santini é a Bolsotini Chocolates e Café Ltda., empresa aberta em 7 de janeiro de 2015. Quando Flávio ainda era deputado estadual na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), ele convidou Santini para ser seu sócio na franquia da marca Kopenhagen instalada no shopping Via Parque, na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio de Janeiro.
O negócio, no entanto, entrou na mira do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) no âmbito das investigações sobre o esquema de “rachadinhas” no gabinete de Flávio, que apontavam que a loja funcionaria como parte de um esquema de lavagem de dinheiro recolhido do salários de assessores do então deputado. Para o MP, Santini atuava como um “laranja de luxo” de Flávio. Em 2021, a loja foi fechada.
Desde então, Santini alegou que a distribuição econômica não teria seguido a proporção dos sócios e iniciou uma ofensiva contra o senador a partir de ameaças feitas sobre divulgar segredos da intimidade e de esquemas de corrupção do candidato do PL nestas eleições. Segundo o empresário, ele teria ficado com um prejuízo de R$ 1,4 milhão. Em 2023, ele enviou uma notificação extrajudicial e, posteriormente, apresentou uma reclamação pré-processual na Justiça de Brasília.
Em reportagens, Santini negou ao que soubesse de qualquer irregularidade ocorrida na loja de chocolates, afirmando que “nunca soube de onde vem o dinheiro em espécie”. No entanto, em mensagens obtidas pelo Metrópoles, o empresário afirma que o fluxo financeiro da loja era fora do padrão. Ele teria afirmado que, já no primeiro ano, a contabilidade oficial registraram a recuperação de todo o dinheiro investido.
O papel de Santini no entorno de Flávio
Santini atuou não só como sócio de Flávio Bolsonaro, mas como alguém que teria acesso a detalhes privados da vida do senador. Em mensagens reveladas pelo PlatôBR, o empresário era responsável por diversas tarefas para Flávio e que, durante determinado período, funcionava como uma espécie de administrador de um “caixa paralelo” do senador, tendo acesso a uma série de registros sobre esquemas financeiras de Flávio.
Segundo a reportagem, Santini cuidava de despesas que Flávio não queria assumir diretamente e também organizava encontros privados com garotas de programa, além de esquemas com políticos e ministros. Todas essas revelações foram guardadas por Santini em um amplo acervo de documentos, mensagens, fotos, áudios, notas fiscais e planilhas, que hoje é usado para ameaçar Flávio diante da dívida alegada pelo empresário.
A estratégia de pressão
Desde o rompimento com Flávio Bolsonaro, o empresário tem feito pressão pelo pagamento do valor de R$ 1,4 milhão pela sociedade na loja de chocolates. Essa pressão é feita tanto através de notificações extrajudiciais quanto por meio de ameaças sobre revelações de ‘crimes na política’ que poderiam levar Flávio à prisão.
Em uma reunião no gabinete de Flávio Bolsonaro no Congresso Nacional pouco antes do primeiro turno das eleições de 2022, Santini teria apresentado uma planilha com as dívidas do senador, que recusou o pagamento. Segundo reportagem do Metrópoles, o diálogo foi o seguinte:
“Eu falei: olha, Flávio, está aqui a planilha que você me deve. Sempre trazendo para o valor presente… Todo o valor, sem ser ajustado, aqui você me deve 1,7 milhão. Tá aqui, olha. Ele sabe que é isso. Ele olhou e falou: ‘Tá bom’. ‘Eu falei: Tá, quando você pode pagar?’ ‘Agora eu não posso.’ ‘Tá bom.’ ‘Quando você vai me pagar?’ ‘Pensando bem, eu não vou te pagar, porque eu não te devo nada. Se quiser, procura a Justiça e você vai perder porque eu tenho poder’”. Diante da recusa, Flávio teria completado: “Olha quem você é e olha quem eu sou… Você vai perder tempo e dinheiro. Você vai se f”.
Desde então, o ex-sócio trava uma ofensiva contra Flávio utilizando o amplo acervo que inclui fotografias do senador com prostitutas, trocas de mensagens de Flávio com Fabrício Queiroz com pedidos de auxílio financeiro, mensagens de Frederick Wassef reclamando de Flávio, comprovantes de pagamentos feitos com recursos da chocolateria que teriam sido utilizados para despesas pessoais e investimentos imobiliários de Flávio, mensagens sobre a atuação de Flávio junto ao ministro Kassio Nunes Marques, entre outras acusações. Uma parte delas, a que envolve encontros de Flávio com prostitutas, foi revelada nesta terça-feira.
Alexandre Santini: quem é o ex-sócio de Flávio Bolsonaro que revelou supostas orgias e lobby junto a Nunes Marques
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