União forçada: Campanha de Flávio Bolsonaro pressiona rivais da direita para evitar 2º turno

União forçada: Campanha de Flávio Bolsonaro pressiona rivais da direita para evitar 2º turno
Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas - Foto: Miguel SCHINCARIOL / AFP

A cinco dias do primeiro turno, a campanha de Flávio Bolsonaro transformou a cobrança por “união da direita” em ofensiva coordenada. A articulação mobiliza interlocutores do PL, aliados, dirigentes partidários e militantes bolsonaristas nas redes sociais, todos com o mesmo recado: candidatos que disputam o mesmo eleitorado conservador deveriam abrir mão de suas candidaturas e transferir seus votos ao senador.
O objetivo declarado é evitar que a fragmentação do campo de direita leve a disputa a um segundo turno contra o presidente Lula (PT). Para os articuladores da campanha, concentrar votos em Flávio Bolsonaro já na primeira etapa seria a única forma realista de afastar o PT do poder neste ciclo eleitoral.
Alvos e reações dos candidatos
Os principais alvos da pressão são Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante). Integrantes da campanha de Flávio já procuraram interlocutores ligados aos três para discutir uma possível composição antes da votação, mas nenhum deles abandonou a corrida até o momento.
Zema adotou uma postura ambígua: diz que não pretende desistir, mas autorizou candidatos do Novo a declarar apoio a Flávio Bolsonaro ainda no primeiro turno, abrindo caminho para o voto útil dentro do próprio partido. Caiado foi mais direto e rejeitou categoricamente a possibilidade de sair da disputa, negando a existência de um acordo que previa sua retirada e a de Zema antes do debate da TV Globo.
Fora do radar da campanha de Flávio está Renan Santos (Missão). Ele não foi procurado pelos articuladores do PL e já antecipou que não apoiará nem Lula nem Flávio em um eventual segundo turno. Santos tem feito ataques sistemáticos ao senador, chamando-o repetidamente de “bandido”.
Apoios e articulações regionais
A ofensiva ganhou tração concreta com a desistência do deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP) da disputa pelo Senado, anunciada em 28 de setembro. Salles declarou apoio à chapa de Flávio Bolsonaro, e o movimento foi imediatamente capitalizado pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como modelo a ser seguido.
Tarcísio defendeu publicamente a concentração de votos em Flávio e disse que a saída de Salles deveria servir de exemplo. “Seria muito bom que a gente pudesse unir toda a direita nessa reta final”, afirmou o governador. Em outro momento, disse que, diante da possibilidade de “afastar o PT já no primeiro turno”, seria desejável que os demais candidatos fizessem esse “gesto”.
A saída de Salles também ampliou a pressão interna sobre Zema, seu correligionário no Novo. Integrantes do próprio partido, como Marina Helena (candidata a deputada federal por SP), Deltan Dallagnol (ex-procurador da Lava Jato no PR) e Marcel van Hattem (deputado no RS), estão articulando apoio a Flávio Bolsonaro, pressionando o candidato mineiro a ir além da liberação informal já concedida aos filiados.

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