Democratas acusam governo Trump de ‘campanha de interferência e desestabilização’ no Brasil

Democratas acusam governo Trump de ‘campanha de interferência e desestabilização’ no Brasil
Donald Trump - Photo by Kevin Dietsch / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP

Os senadores democratas Jeanne Shaheen, Peter Welch e Tim Kaine enviaram uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, na segunda-feira (28), alertando o governo Trump contra interferência nas eleições presidenciais brasileiras de 2026. Segundo a CNN Brasil, que teve acesso ao documento, os parlamentares acusam o governo americano de conduzir uma “campanha de interferência e desestabilização no Brasil” por meio de pressão diplomática, econômica e política, com o objetivo declarado de enfraquecer as instituições democráticas do país antes do pleito marcado para 4 de outubro de 2026.
Em comunicado à imprensa, os três senadores declararam estar preocupados, segundo a CNN Brasil, “com o fato de o governo Trump estar usando pressão diplomática, econômica e política para enfraquecer deliberadamente as instituições democráticas do Brasil antes da eleição presidencial de 4 de outubro de 2026”. A escolha de endereçar a carta diretamente a Rubio sinaliza a intenção de responsabilizar o Departamento de Estado pelas ações em curso.
A ‘campanha de interferência do governo Trump’ e exemplos citados
Na carta, de acordo com a CNN Brasil, os senadores afirmam que autoridades americanas se engajaram em uma “campanha de interferência e desestabilização no Brasil” ao longo do segundo mandato de Donald Trump. O documento aponta que esse esforço “se intensificou de forma acentuada pela primeira vez no verão de 2025, quando o governo recorreu a tarifas e sanções direcionadas na tentativa de influenciar o veredito da Suprema Corte brasileira no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de tentar promover um golpe militar para permanecer no poder”, conforme trecho reproduzido pela CNN Brasil.
Dois outros episódios são citados como evidências concretas de interferência. O primeiro é a nomeação de Darren Beattie, descrito pelos senadores como “extremista de extrema direita e supremacista branco”, para um cargo no Departamento de Estado com responsabilidade sobre assuntos relacionados ao Brasil. O segundo é a recente reunião no Salão Oval entre Trump e o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, que os parlamentares descrevem, segundo a CNN Brasil, como evidência da “disposição do governo de se inserir na eleição” brasileira de outubro.
Os senadores argumentam que as ações do governo Trump “arriscam enfraquecer as instituições democráticas do Brasil, minar a confiança no processo eleitoral brasileiro e causar mais danos à nossa relação com um aliado estratégico e parceiro comercial dos EUA”. O caso brasileiro é enquadrado na carta como parte de um “padrão mais amplo e profundamente preocupante de interferência do governo Trump em processos eleitorais recentes na América Latina”, com menção explícita a Argentina, Honduras e Colômbia.

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